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O que parecia impossível para a maior comunidade de fãs do mundo aconteceu. A organização da Comicup, a principal e mais influente convenção de doujinshi e cultura fanmade da China, anunciou uma mudança radical e repentina para sua edição em Hangzhou (dezembro de 2025): o banimento total de qualquer propriedade intelectual (IP) japonesa.
A decisão, comunicada aos expositores apenas nove dias antes do evento, transformou a feira em um festival exclusivo de “Estilo Chinês” (Guofeng), forçando o cancelamento de centenas de artistas e lojistas que dependiam de obras como One Piece, Jujutsu Kaisen e Genshin Impact (em suas versões de influência japonesa) para suas vendas.

O que mudou na Comicup?
A Comicup de Hangzhou, que esperava atrair mais de 200 mil pessoas, emitiu uma nota oficial afirmando que o “ajuste de escala completa” foi necessário devido ao “ambiente social atual” e às “obrigações culturais”. Na prática, as novas diretrizes estabelecem:
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Proibição de Exibição: Nenhum material derivado de animes ou mangás japoneses pode ser exposto ou vendido;
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Cosplay Restrito: Cosplayers caracterizados como personagens de obras japonesas foram informados de que poderiam ter a entrada negada ou ser convidados a se retirar;
Foco no “Guofeng”: O evento agora aceita apenas obras originais chinesas ou baseadas em manhuas (mangás chineses) e donghuas.

Contexto Político: Por que agora?
O banimento não é um fato isolado, mas o ápice de uma crise diplomática entre Pequim e Tóquio. As tensões escalaram drasticamente após declarações de políticos japoneses de alto escalão sobre a soberania de Taiwan, o que gerou uma resposta imediata do governo chinês no setor cultural.
Nas semanas que antecederam o evento, outros sinais já indicavam o cerco fechando:
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Cantora expulsa de palco: Maki Otsuki (conhecida pelos temas de One Piece) foi retirada do palco por seguranças durante uma apresentação em Xangai;
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Filmes cancelados: A exibição de Demon Slayer: Infinity Castle nos cinemas chineses foi interrompida abruptamente, e estreias de filmes de Detective Conan foram adiadas indefinidamente;
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Shows de Sailor Moon: Espetáculos musicais da franquia foram cancelados em diversas províncias chinesas sem justificativa clara.
Impacto no Mercado e nos Fãs
A comunidade otaku chinesa, uma das maiores do planeta e responsável por movimentar bilhões de yuans, reagiu com indignação e tristeza nas redes sociais (como o Weibo). Muitos artistas independentes, que já haviam impresso milhares de cópias de seus trabalhos (fanzines e artes), enfrentam agora prejuízos financeiros devastadores.
Especialistas do mercado asiático preveem que essa decisão possa causar um declínio massivo na audiência de eventos futuros e uma retração na pirataria e no licenciamento oficial de animes na China, caso as restrições se tornem permanentes.
O que esperar agora?
Ainda não se sabe se essa medida é temporária ou se marca o início de uma nova era de censura rigorosa contra a cultura pop japonesa na China. Para o público brasileiro e o mercado global, o alerta está ligado: a política nunca esteve tão entrelaçada com o consumo de entretenimento quanto agora.
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