
Breve descrição:
Na versão Kiwami do Yakuza 3 original, Kazama Kiryu deixou para trás sua vida de crime organizado em Kamurocho para administrar o Orfanato Morning Glory com Haruko em Okinawa. No entanto, ele é arrastado de volta para o submundo do crime quando sua nova família e seu lar são ameaçados pelas maquinações do Clã Tojo e pelas sombras do passado que acreditava estarem mortas e enterradas. Para exorcizar os antigos demônios de uma vez por todas, Kiryu terá que retornar ao seu antigo território e lembrar ao povo de Kamurocho por que é um erro terrível despertar um dragão adormecido.
Além do jogo original refeito e expandido, o novo Dark Ties oferece um olhar inédito sobre as origens do mortal rival de Kiryu em Yakuza 3, Yoshitaka Mine. Dark Ties revela como o refugiado desonrado dos campos de batalha corporativos do Japão assumiria sua nova identidade como o membro mais ambicioso do submundo do crime e um dos adversários mais perigosos que o protagonista já enfrentou.
Esta análise de Yakuza Kiwami 3 & Dark Ties é baseada na versão para Nintendo Switch 2. O jogo também está disponível para PC, PlayStation 4, PlayStation 5 e Xbox Series X/S.

Uma breve analise dos fatos:
Yakuza Kiwami 3 & Dark Ties coloca a franquia Like a Dragon em uma encruzilhada interessante. Agora que a série alcançou um nível de reconhecimento e sucesso que seus fãs originais provavelmente jamais imaginariam ser possível, ela tem a oportunidade de investir em remakes e expansões de alta qualidade para trazer títulos antigos a novos jogadores entre os lançamentos de novas versões da série principal. Com tantos olhos voltados para a RGG Studios, no entanto, os responsáveis pela Like a Dragon Games também estão em uma posição menos favorável para exigir que suas decisões sejam consideradas sem questionamentos. Digamos, por exemplo, que eles decidam dar o tratamento Kiwami a um dos títulos mais controversos da série original Yakuza. Deveria ser um sucesso garantido, certo? Bem, o recente lançamento de Yakuza 0 Director’s Cut demonstrou que, às vezes, as alterações da RGG podem piorar seus amados clássicos, com o desnecessário aumento na história e as mudanças narrativas francamente estúpidas que agora comprometem a única maneira de jogar o jogo se você não possuía uma cópia do original intocado. Ainda assim, não é como se o estúdio fosse se dar ao trabalho de substituir um personagem importante por um ator cuja reputação controversa por comportamentos cruéis e sexistas se opõe completamente a tudo o que Kiryu e os jogos Like a Dragon representam — ah, espere, deixa pra lá, foi exatamente isso que aconteceu.

Seis por meia dúzia ?
Primeiro, quero abordar os maiores defeitos do jogo, tanto porque, felizmente, são apenas alguns deslizes grosseiros que não comprometem a essência de Yakuza Kiwami 3, quanto porque são justamente os problemas que mais despertarão a curiosidade dos fãs do original. Sim, escalar Teruyuki Kagawa para interpretar Hamazaki foi péssimo, mas essa escolha diz menos sobre a qualidade deste jogo em particular do que sobre o quão ridículo é que a sociedade japonesa esteja tão disposta a ignorar a flagrante má conduta sexual de homens no poder, enquanto aplica a lei impiedosamente contra caras que simplesmente usam drogas em suas vidas pessoais. Além disso, lembre-se de quando você ficou irritado com a forma displicente como Yakuza 0 reverteu a morte de personagens importantes, aparentemente numa tentativa de preparar o terreno para futuras histórias e remakes ainda não lançados. Bem, tudo o que posso dizer sem revelar spoilers descaradamente é que recomendo que vocês se preparem para algumas das reviravoltas mais chocantes da trama de Yakuza Kiwami 3.
Por fim, embora eu vá abordar a campanha “Dark Ties” com mais detalhes adiante, acho que foi um pouco enganoso da parte da SEGA comercializar Yakuza Kiwami 3 e Dark Ties como um pacote de “jogos separados” (para citar a descrição do título na Nintendo Store no momento em que escrevo). Dark Ties é, na melhor das hipóteses, um conjunto expandido de missões DLC que só se aproximaria da abrangência de um jogo completo da série Yakuza se você explorasse cada detalhe das missões de coleta e do minigame roguelite com o zelo de um jogador perfeccionista. Até mesmo The Man Who Erased His Name foi uma experiência muito mais substancial, já que se leva apenas cerca de três horas para terminar Dark Ties.

Quem não tem cão joga com gato!
O combate refinado e o conteúdo expandido para a família de Kiryu melhoram significativamente a experiência original de Yakuza 3. Visuais sólidos que se mantêm bem no Switch 2, tanto no modo portátil quanto no modo TV, e a campanha Dark Ties tem conteúdo narrativo envolvente e jogabilidade divertida para Yoshitaka Mine.
Algumas mudanças narrativas desastrosas ameaçam a integridade da trama do jogo, não sendo muito substancial a longo prazo, como a escolha de Teruyuki Kagawa para dublar o personagem Goh Hamazaki, sendo simplesmente péssima.
Como era de se esperar de um jogo original já controverso e com uma reputação polêmica antes mesmo do seu lançamento oficial, Yakuza Kiwami 3 & Dark Ties não é um sucesso absoluto. Mesmo ignorando as escolhas de elenco questionáveis e o gosto amargo deixado pela insistência em retcons duvidosos e pela posterior remoção dos jogos originais das lojas, um remake de Yakuza 3 nunca seria um título perfeito da série Like a Dragon. Apesar de suas imperfeições, porém, me diverti bastante revisitando essa obra peculiar e absurda para relaxar com o Dragão de Dojima e dar uma surra em alguns bandidos. No fim das contas, diria que ele aprimora a experiência original o suficiente para valer a pena para qualquer um que queira conferir esse capítulo inicial da extensa trajetória de Kazuma Kiryu.

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