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Kingdom Hearts Collection [I~III] no Nintendo Switch 2 – Review

Dalton Silveira
©Kingdom Hearts Collection [I~III]

Eu jogo Kingdom Hearts desde que era bem novo, e poucas franquias me pegaram do jeito que essa pegou. Por isso, ver a série chegar de verdade ao Switch 2 mexeu comigo. Desde 2022, quem queria jogar no console da Nintendo dependia das versões em nuvem, e a experiência de muita gente com elas não foi nada boa. Depois de jogar as três coleções da Kingdom Hearts Collection [I~III] na versão nativa, vou direto ao ponto: estou simplesmente apaixonado.

Não é uma coleção perfeita, e eu vou falar dos problemas mais para frente. Mas é a primeira vez que dá para ter a saga inteira rodando no próprio console da Nintendo, no portátil, sem depender de internet para jogar. Para quem esperou tanto quanto eu, isso pesa muito.

Uma história espalhada por tudo quanto é console

Quem nunca jogou costuma achar a série confusa, e não é à toa. A história começa em Kingdom Hearts, lançado em 2002 no PlayStation 2: Sora, Riku e Kairi sonham em deixar as Ilhas do Destino, até que os Heartless invadem tudo. Sora ganha a Keyblade, se separa dos amigos e acaba ao lado de Donald e Pateta, que estão atrás do Rei Mickey. A ideia de juntar os mundos da Disney com personagens de Final Fantasy, sob a direção de Tetsuya Nomura e com a trilha de Yoko Shimomura, parecia improvável, e virou uma das franquias mais queridas da Square Enix.

O problema é que, de lá para cá, a trama foi sendo contada em tudo quanto é plataforma. Chain of Memories saiu no Game Boy Advance em 2004 e acontece entre o primeiro e o segundo jogo. Kingdom Hearts II voltou ao PlayStation 2 e apresentou a Organização XIII e os Nobodies. 358/2 Days e Re:coded foram para o Nintendo DS, Birth by Sleep para o PSP, Dream Drop Distance para o 3DS, a linha χ para navegador e celular, e o 0.2 já estreou no PlayStation 4, pouco antes do Kingdom Hearts III, de 2019.

Cada um desses capítulos acrescenta uma peça importante. Birth by Sleep volta cerca de dez anos no tempo para contar a história de Terra, Aqua e Ventus. 358/2 Days acompanha o ano de Roxas dentro da Organização XIII, e Re:coded se passa dentro dos dados do diário do Grilo Falante. Dream Drop Distance coloca Sora e Riku no exame de maestria, o 0.2 segue Aqua no Reino da Escuridão, e o χ Back Cover volta à época dos Mestres da Keyblade, muito antes de tudo. O III amarra isso e fecha a longa saga contra Xehanort. Era um quebra-cabeça espalhado por várias plataformas diferentes, e agora está num só lugar.

O que vem em cada coleção

São dez títulos distribuídos em três coleções, vendidas separadamente ou em pacote. A Kingdom Hearts HD 1.5+2.5 ReMIX reúne Kingdom Hearts Final Mix, Re:Chain of Memories, Kingdom Hearts II Final Mix e Birth by Sleep Final Mix como jogos completos, além de 358/2 Days e Re:coded. A Kingdom Hearts HD 2.8 Final Chapter Prologue traz Dream Drop Distance HD, 0.2 Birth by Sleep -A Fragmentary Passage- e χ Back Cover. A terceira junta Kingdom Hearts III com o DLC Re Mind.

Vale um aviso para quem está começando: 358/2 Days, Re:coded e χ Back Cover não são jogáveis. Os dois primeiros chegam como filmes com as cenas da história, e o Back Cover é um longa de animação. Eles ajudam a não perder nenhum pedaço da trama, mas não contam como jogo. Quem sentir falta do Melody of Memory, o jogo de ritmo da série, vai ter que comprar à parte, porque ele não faz parte da coleção. Para quem nunca jogou, o caminho mais tranquilo é seguir a ordem de lançamento, começando pelo primeiro e assistindo aos filmes no meio do caminho. Eu ainda não consegui finalizar todos os jogos jogáveis, mas pretendo fazer isso.

©Kingdom Hearts Collection [I~III]

Finalmente nativo

A diferença entre a nuvem e a versão nativa é enorme. Aqui o jogo roda no próprio console, sem depender da qualidade da conexão e sem aquele atraso entre apertar o botão e ver o Sora reagir. Quem já tinha as versões em nuvem pode converter o save e continuar de onde parou no Switch 2.

A Nintendo também informa que donos das versões em nuvem têm 50% de desconto na versão nativa. E quem compra no Switch 2 leva a Keyblade exclusiva Long Night para o Kingdom Hearts III, com Força 4, Magia 4 e as habilidades Leaf Bracer e Magic Roulette. Não muda o jogo, mas é um agrado bem-vindo para quem está comprando a série de novo.

Como roda

No geral, resolução e taxa de quadros funcionam direitinho, sem engasgos, e a fluidez é muito superior à do port em nuvem. Para mim, chega a ser melhor do que a versão de PlayStation 4. Foi o que eu mais queria saber antes de comprar, e a resposta é muito boa: o remaster está muito bem feito.

Os clássicos são onde a coleção brilha. Kingdom Hearts, Re:Chain of Memories, Kingdom Hearts II e Birth by Sleep rodam travados em 60 fps durante a jogatina, e Dream Drop Distance também segue liso. Os carregamentos são curtos na maior parte do tempo. Os únicos tropeços nesse grupo estão nas cenas pré-renderizadas: a abertura do primeiro jogo dá umas engasgadas, e os filmes de 358/2 Days e Re:coded ficaram com a imagem meio borrada.

A conversa muda no Kingdom Hearts III e no 0.2, que são os jogos mais pesados. O III roda em 1080p no portátil e em 1224p na TV, com a taxa de quadros liberada e sem opção de travar em 30. Na prática, ele fica na casa dos 30 a 45 fps na maior parte do tempo, chega aos 60 em áreas mais leves e cai mais no mundo de Enrolados e nas fases da nave Gummi quando a tela enche. Para caber no console, a versão também perdeu um pouco de distância de visão, de detalhe nas texturas e de reflexos em comparação com as outras plataformas. O 0.2 é ainda mais instável e pode cair perto dos 20 fps em alguns trechos. Os carregamentos do III também são mais longos. Não chega a estragar a experiência, mas é o ponto em que a versão nativa mais deixa a desejar, e vale saber disso se você está comprando principalmente por causa dele.

Console grande na palma da mão

Na televisão o jogo não fica feio, longe disso, mas o modo portátil é, para mim, o jeito certo de jogar. Eu sempre quis ter uma versão completa de Kingdom Hearts, com qualidade de console grande, na palma da minha mão, e o Switch 2 me proporciona isso.

E faz sentido para o tipo de série que é. Kingdom Hearts tem muita cena de história, muito diálogo e muita exploração de mundo em mundo, e isso combina com jogar deitado, no ônibus ou em sessões curtas antes de dormir. É o tipo de coleção que dá para atravessar aos poucos, sem a sensação de que precisa reservar a noite inteira na frente da TV.

Os mundos da Disney em Kingdom Hearts III

É no III que a mistura de universos aparece com o visual mais caprichado da coleção. Sora passa pelo Olimpo de Hércules, pelo quarto de brinquedos de Toy Story, pelo reino de Enrolados, por Monstrópolis, pela Arendelle de Frozen, pelo Caribe de Piratas do Caribe e por San Fransokyo, de Big Hero 6. No mundo de Toy Story, ele luta ao lado de Woody e Buzz e ainda pilota robôs gigantes de brinquedo. Em San Fransokyo, o parceiro é Baymax.

Cada mundo tenta reproduzir o estilo do filme original sem deixar a série perder a identidade própria, e é isso que sempre me encantou em Kingdom Hearts. Ver esses mundos rodando no portátil, mesmo com as concessões técnicas do III, ainda é muito legal.

©Kingdom Hearts Collection [I~III]

Controles e opções

Os controles foram muito bem adaptados, até nos jogos de combate fora do comum, como Re:Chain of Memories, com o sistema de cartas, e Birth by Sleep, com o deck de comandos. Os menus de equipamento e o mapa são rápidos de navegar. O menu de ações durante o combate, por outro lado, continua com aquele jeito meio duro dos jogos originais e não pode ser personalizado.

Quem está começando também tem ajuda. Há o modo Beginner, além dos modos Proud e Critical para quem quer desafio, e o Kingdom Hearts III libera desde o início os códigos EZ e Pro, que deixam o jogo mais fácil ou mais difícil do jeito que você preferir.

©Kingdom Hearts Collection [I~III]

O que ainda falta

A coleção não tem localização em português do Brasil. Os idiomas disponíveis são japonês, inglês, espanhol, francês, alemão, italiano, coreano e chinês. Para uma série tão longa e cheia de enredo, a ausência pesa, e em 2026 já passou da hora de a Square Enix olhar para o público brasileiro.

Outro ponto é o espaço: ter tudo instalado ocupa cerca de 130 GB, mais da metade do armazenamento do Switch 2. Dependendo do que você já tem no console, vai precisar de um cartão microSD Express ou instalar uma coleção de cada vez. A versão física em Game-Key Card não resolve isso, porque ela funciona como chave de download e precisa de internet para baixar o jogo.

E a jogabilidade dos primeiros jogos mostra a idade. A câmera e a movimentação de Kingdom Hearts e de Kingdom Hearts II são mais duras do que as de um jogo atual, algo que quem volta à série por nostalgia, como eu, já espera, mas que pode estranhar quem está chegando agora.

Vale a pena?

Para mim, sem dúvida. São mais de 100 horas de conteúdo, e quem quiser fazer tudo pode passar das 150. No eShop brasileiro, cada coleção custa R$ 229,90, e o pacote com as três sai por R$ 427,50. Também existe a versão física em Game-Key Card.

Quem quer só o III deve pesar o desempenho que eu descrevi, porque é ali que estão os problemas da coleção. Quem quer a saga inteira, em portátil, não tem versão melhor hoje. E com Kingdom Hearts IV já confirmado para o Switch 2, não existe hora melhor para colocar a história em dia.

Nota: 9/10 – Para mim, a forma definitiva de jogar a franquia.

Qual Kingdom Hearts foi o primeiro que você jogou? Conta aqui nos comentários.