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Marco Ribeiro defende regulamentação da IA e reforça: “A dublagem tem alma” durante o Anime Friends 2026

dflobo

Dublador destacou a importância de estabelecer regras para o uso da inteligência artificial e acredita que a tecnologia deve atuar como aliada, sem substituir a interpretação humana.

O Anime Friends 2026 encerrou mais uma edição histórica ao reunir cerca de 230 mil visitantes no Distrito Anhembi, consolidando-se como o maior festival de cultura pop asiática da América Latina. Durante quatro dias, o evento recebeu artistas nacionais e internacionais, shows, concursos de cosplay, estandes de grandes editoras e distribuidoras, além de painéis especiais com dubladores, atores e criadores que marcaram gerações de fãs. Entre os convidados esteve o dublador Marco Ribeiro, voz por trás de grandes sucessos da comunidade otaku, como: Yusuke Urameshi e Raizen (Yu Yu Hakusho); Bon Clay (One Piece); Re-Destro (My Hero Academia); Konro Sagamiya (Fire Force); entre outros

Durante a entrevista para a imprensa, Marco foi questionado por um dos assuntos que mais repercute para a dublagem, o impacto da chegada da IA no mercado. Esbanjando o seu carisma e um tom sério, ele afirmou acreditar que a IA representa mais um avanço tecnológico para o setor, mas ressaltou que sua utilização precisa ser acompanhada de uma regulamentação clara, capaz de proteger os profissionais sem limitar a inovação.

A nossa grande luta agora é por uma regulamentação. Não uma regulação, porque isso remete à censura. Censura, nunca. A ideia é definir de que forma a inteligência artificial será usada.

Em sua visão, a entrada da tecnologia deve complementar o trabalho dos profissionais e não substituí-los— um tópico que causa um medo em que deseja seguir carreira nesse ramo.

Eu creio que ela venha para somar e multiplicar, e não para diminuir, porque é mais uma tecnologia que pode ser usada a nosso favor.

Marco Ribeiro – “Para o bonde que Isabel Caiu”

Marco também relembrou uma experiência recente da indústria, quando uma plataforma de streaming lançou uma produção dublada com inteligência artificial. Segundo ele, a recepção negativa do público demonstrou que a preferência pela interpretação humana continua sendo determinante.

O grande árbitro disso tudo vai ser o público. Teve um streaming que lançou um filme todo com inteligência artificial e o público não gostou. Se o público disser que quer a voz humana, porque a dublagem tem alma, é esse caminho que vai prevalecer.

Ao longo da conversa, o artista destacou que a evolução tecnológica sempre acompanhou a carreira dos dubladores. Desde a época das gravações analógicas, aos atuais estúdios digitais; as mudanças contribuíram para modernizar os processos de produção sem substituir o talento dos profissionais.

A tecnologia, quando vem, é para somar, como aconteceu ao longo de todos esses anos. Espero que continue sendo assim.

O debate sobre inteligência artificial tem ganhado cada vez mais espaço na indústria do entretenimento, especialmente em áreas como a dublagem e a produção audiovisual. A fala de Marco Ribeiro reforça um posicionamento compartilhado por diversos profissionais do setor: a inovação é bem-vinda, desde que respeite o trabalho artístico e preserve aquilo que torna a dublagem única — a interpretação humana.