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Artigo

O meu amor por Lovely Complex

Carlos S. Rehem
© Toei Animation / Lovely Complex

Lovely Complex é um mangá shoujo de comédia romântica criado por Aya Nakahara e publicado na revista mensal Bessatsu Margaret pela Shueisha entre os anos de 2001 e 2007.

A história acompanha as desventuras românticas de Risa Koizumi, uma jovem de 172 cm de altura, maior do que a média, e Otani Atsushi, de 156 cm (menor do que a média). Por causa desta discrepância, surge um complexo referente a esta questão que dá nome à obra: poderia uma garota tão alta se apaixonar por alguém tão baixo? E é isso que vamos descobrir, analisando sua adaptação para anime, que estreou no último ano de sua publicação.

Claro, também há mais um motivo para esta resenha: Lovely Complex foi um dos primeiros animes românticos que assisti, e justamente no final da minha adolescência, o que contribuiu bastante para minha forma de pensar hoje em dia.

De comediantes a namorados

© Toei Animation / Lovely Complex

Inicialmente, Otani e Risa são apenas amigos por causa de um gosto em comum e, por sempre estarem fazendo palhaçada juntos, também são vistos como uma dupla de comediantes. No decorrer do tempo, todavia, um romance se desenvolve entre eles. A partir daí, muitas brigas e discussões se desenrolam até que consigam construir um relacionamento amoroso verdadeiramente saudável, o que é bastante cativante de assistir, caso você esteja engajado emocionalmente com os personagens.

Outro ponto a ser destacado é como a obra trata questões sobre masculinidade e feminilidade por meio de características da dupla, além da altura não ideal. Por exemplo, Otani joga basquete — mesmo com a baixa estatura — e é muito bom nisso! Além disso, ele joga com uma trancinha no cabelo, o que fica surpreendentemente fofo. Por outro lado, Risa é mais agressiva e também a mais emocionada entre as meninas. Logo, ambos fogem, de alguma forma, dos padrões estabelecidos pela sociedade: do homem machão e da mulher delicada.

E claro, eu não poderia deixar de falar da estética fruto dos anos 2000, porque, juntamente com a animação consistente do início ao fim, torna a experiência de assistir mais aconchegante. Sendo mais específico, me sinto olhando para aquelas fotos de celulares antigos da época, onde é possível perceber certa imperfeição nelas, mas é justamente isso que as torna tão charmosas. Da mesma forma, gosto bastante das aberturas e encerramentos, principalmente do último: “Oh Yeah, because there is you”. Em outras palavras, um excelente sentimento.

Felizes para sempre!

© Toei Animation / Lovely Complex

Certa vez, um menino de cabelos cor de ouro repassou-me um segredo: “só se vê bem com o
coração. O essencial é invisível para os olhos
“.

Em suma, o que torna uma coisa especial não são as suas supostas características únicas, mas o tempo que gastamos com ela. Veja bem, o relacionamento entre Risa e Otani segue essa mesma verdade, porque foram as longas pelejas de ambos que os fizeram singulares entre si, diferentes de outros cem mil, eternamente responsáveis um pelo outro.

Por isso, também assumo este meu dever e confesso: gastei anos para criar coragem e tirar esta resenha da gaveta, mesmo tendo-a planejado com muitas citações e floreios. Todavia, sigo este meu caminho de peito aberto, assumindo que certos desejos, apesar de atrativos, são melhores quando evitados.

E para que não fiquemos com tons amargos na boca, lembre-se do tempo perdido com sua rosa.