O novo eixo cultural — Brasil como ponte

A mão que aponta o erro, também é a mão que constrói uma solução — pelo menos, é parte da minha filosofia de vida. Há tempos venho fazendo textos sobre análises culturais, mercadológicas e de estruturas do entretenimento — que não vêm sendo debatidas e propostas por outros sites; parte que considero fundamental para realmente compreendermos o que consumimos e suas dinâmicas.
E, em parte, o motivo que grupos inteiros ainda não compreenderam o momento; eles não amadureceram até hoje, sobre o que tornou a cultura oriental tão valorizada e consumida mais do que nunca — pois continuam a tratar de forma leviana, que está se transformando em algo muito além de um mero entretenimento durante o recreio.
Só que, há um potencial enorme pela frente, e que o brasileiro (talvez) ainda não percebeu — ser a ponte direta para quem sabe, voltarmos à normalidade nas opiniões, dados, criatividade e realidade. O Brasil é a maior colônia japonesa fora do Japão, e este detalhe passa batido na maior parte das discussões culturais, mesmo que saibamos disso melhor do que ninguém.
As lições do passado

A conexão do Brasil com o Japão começou com um acidente em 1803, quando o navio Wakamiya Maru¹ naufragou na costa catarinense — com os quatro marinheiros sendo resgatados por russos. Em 1907, uma tentativa foi feita de estabelecer grupos rurais, quando Saburo Kumabe estabeleceu os primeiros laços com nossa terra, encontrando um lugar difícil de se estabelecer qualquer coisa, pela precariedade à época — tanto de pessoal, quanto de estrutura (já vi isso antes). ¹Wakamiya-maru navegação ao redor do mundo em 1793 – NIPPO Brasília japan|brasil
A partir de 1908, grupos oficiais foram se estabelecendo, mas as coisas não seriam fáceis por conta das discriminações estabelecidas, principalmente no governo Vargas — além do período da Segunda Guerra Mundial, quando seus compatriotas em casa estavam “causando” no mundo. Porém, um interesse em nossas condições climáticas específicas atraiu a atenção de um jovem Shiro Miyasaka², de 28 anos.
Formado em 1957 pela Universidade Agrônoma de Tóquio, sua tese estudantil tratou da adaptação da soja ao clima tropical. Veio ao Centro-Oeste e conseguiu provar que era possível transformar o solo árido do cerrado em solo agricultável — as variedades de soja selecionadas em Tóquio transformaram o Brasil no segundo maior produtor do grão em todo o mundo, e posteriormente, na potência alimentícia que alimenta 1 bilhão de pessoas! ²O agrônomo que ajudou a introduzir a soja no Brasil – e foi o primeiro japonês a ser doutor no país | Exame
Sabores e indústrias do Japão no Brasil

E não ficou na soja, o ramo alimentício brasileiro mudou de patamar. Em 1933, Makinosuke Usui e Tomoji Kato trouxeram de Singapura 20 mudas de pimenta-do-reino para Tomé-Açu no Pará; em 1916 e 1923, os japoneses introduziram as variedades de caqui doce; na década de 1950, agricultores nikkeis na região de Atibaia e Jundiaí (SP) introduziram variedades americanas e japonesas de morango.
Se comemos caqui, pimenta-do-reino e morango, e por produção local, se deve aos japoneses! A Yoki nasceu pelas mãos de Yoshizo Kitano — daí o Yo e Ki, pelo fundador — dentre as maiores empresas do ramo do processamento de alimentos. E nem preciso dizer do fenômeno ‘miojo’, quando chegou em 1965 por um pequeno empresário de origem taiwanesa. O ‘temperinho’ era produzido pela gigante Ajinomoto.
A lista de empresas aqui estabelecidas pelos nipônicos se estende em várias áreas. Todas viram algo em comum: o cenário fértil no Brasil para basicamente qualquer coisa simplesmente prosperar — como a divisão de motos da Honda que possui o maior bolo de mercado em todo o mundo — cerca de 67% a 70%; a segunda maior fábrica de pneus Bridgestone em peso total fora do Japão é nossa.
O freio econômico e o potencial cultural

A grande questão que fica com tudo isso é: por que não temos o mesmo nível de relacionamento, investimento e frutos, como nessas outras áreas? O Brasil é o segundo mercado global da Crunchyroll³, e um dos dez maiores mercados de mangá fora do Japão em vendas totais — e com tantos fandoms, grupos e sites (como o nosso) deveríamos estar em outro patamar. ³Crunchyroll revela que Brasil é o 2º país com mais assinantes do streaming – TELA VIVA News
Comparemos com outros mercados de grande volume: o Brasil teve 676 volumes de mangá⁴ e 46,7% de participação no mercado de quadrinhos em 2025 — é um marco histórico. Mas quando olhamos para os dois gigantes fora do Japão — Estados Unidos e França — o abismo em volume e faturamento revela que o Brasil é um gigante com “freio de mão puxado” pela economia. ⁴Levantamento revela: mangás concentram 46,7% do mercado de quadrinhos no Brasil | BookInfo

O Brasil supera proporcionalmente os EUA em participação, onde os mangás flutuam em torno de 43% do mercado de Graphic Novels, e bate de frente com o mercado francês com aproximadamente 50%. Porém, superado em volumes totais por ambos. Nós escolhemos os mangás como o principal segmento nos quadrinhos, e ainda não estamos no patamar do maior mercado europeu (que possui amplo histórico ns quadrinhos), nem do poderio americano.
Sim, o poderio financeiro brasileiro está indo à bancarrota e os mangás voltaram a ter um alto preço de capa. Isso fica notório a qualquer um, quando um mangá de R$ 45,00⁵ representa quase 3% de um salário mínimo; comprar 4 mangás no mês compromete mais de 10% da renda de um trabalhador base. ⁵Novos preços da Panini para 2025 | Biblioteca Brasileira de Mangás
Na França, um mangá de € 8,00 representa meros 0,4% do salário mínimo francês — é simplesmente brutal! Tendo a sétima maior população do mundo, a discrepância é notória. Mas, não há somente o financeiro disso; ele é um resumo do ocorrido que exibe o verdadeiro problema do descompasso com a realidade de potenciais similares
O primeiro obstáculo

Não há possibilidades de sermos a potência que deveríamos ser, quando que o agrupamento do entretenimento no Brasil seja ineficaz em gerar tal demanda na população. Primeiro, temos poucos eventos durante o ano, considerando que somos o quinto maior país do mundo. CCXP, BGS, Anime Friends, SANA, Gamescom Latam, BGF, são insuficientes para alcançar o grande público.
Os preços destes eventos, então… a estrutura está errada do começo ao fim, já que em boa parte, dependem de grandes expositores estrangeiros para fecharem as contas e ter alguma margem de lucro; o que acaba jogando desfavoravelmente ao público que precisa arcar de forma verdadeiramente abusiva.
Só a entrada da CCXP variou entre R$ 380 a R$ 2.450⁶, valor maior do que os principais jogos do Campeonato Brasileiro e Copa do Brasil. Se pegarmos os números completos, fica visível ao mais míope sobre algo que interfere negativamente na realidade do brasileiro médio: ⁶INGRESSOS | CCXP26 | CCXP26
A conta que não fecha
Os valores abaixo refletem os lotes vigentes de 2026 para ingressos individuais diários básicos (excluindo taxas de conveniência).

Nota sobre a Comiket: O ingresso mais caro do evento japonês (o Early Entry, via sorteio para quem quer pegar itens ultra-raros às 10h30 da manhã) custa ¥5.000 (cerca de R$ 180,00).
A Comiket⁷ cobra barato na entrada porque seu custo de infraestrutura é pago pelas taxas de inscrição das milhares de bancas de artistas (circles) e patrocinadores. A engrenagem é feita para o fã comprar o mangá do autor, o oposto do que é praticado no Brasil. ⁷Comiket Japan Guide 2026: Tickets, Tips & Dates | TOMOGO!
Repare um padrão: estes grandes eventos geralmente possuem alas para artistas, eventos de cosplay, mas nunca como os grandes destaques; funcionam como atrativos secundários, sem o devido destaque sobre eles. Ir a um sábado de CCXP pagando inteira (R$ 520,00) compromete mais de 30% de um salário mínimo mensal.
Um jovem japonês que vai à Comiket à tarde paga apenas ¥440 (cerca de R$ 16,00) por uma pulseira de acesso. Isso representa menos de 20 minutos de trabalho em um emprego de salário mínimo local. O dinheiro do fã não fica no ingresso; ele sobra para ser gasto diretamente nas mesas dos artistas independentes. O fã brasileiro gasta tanto dinheiro apenas para pisar dentro do pavilhão, que seu poder de compra lá dentro, despenca.
O bom exemplo

Se pegarmos o exemplo do que ocorre na origem deste ecossistema, vemos que o modelo atual não funciona e, pior, atua contra o nosso mercado, e posteriormente, de nossa conexão com os japoneses. A Comiket ocorre duas vezes ao ano (verão em agosto; inverno em dezembro), tamanho sucesso e importância.
Preço: ¥440 (entrada da tarde, cerca de R$ 16,00) a ¥5.000 (entrada VIP matutina por sorteio, cerca de R$ 180,00).
O COMITIA⁸, organizado por voluntários do próprio segmento, ocorre quatro vezes anualmente em Nagoya desde 1984 — aqui o autor se destaca, vende seu conteúdo autoral a um público de forma mais ampla e próxima (onde as primeiras prospecções de animes/jogos ocorrem), o público consome em grandes volumes com preço acessível. ⁸15 Anime Events in Japan: 2026 Complete Guide for Every Fan – Japan Travel Guide MATCHA
Atrai cerca de 20.000 a 30.000 pessoas por edição. Ingressos custam em torno de ¥1.500 a ¥2.000 (R$ 55 a R$ 72).
Em maio e outubro, o Hakurei Shrine Grand Festival (Reitaisai) movimenta o cenário de jogos independentes de forma exclusiva. Reúne mais de 50.000 fãs, com ingressos a cerca de ¥2.000 (R$ 72); em novembro, o Animate Girls Festival reúne 100.000 pessoas, sozinho. Focado estritamente no público feminino (mangás e jogos voltados para mulheres).
O segundo obstáculo

Isso tudo até aqui são somente os grandes eventos — o topo da cadeia do entretenimento, pois se formos ao cenário regional, como a Odekake Live feita pelo Studio YOU — ocorrendo de forma itinerante durante o ano em todo o Japão, fica evidente o contraste brutal com nossa realidade desfavorável.
Nem me obrigue a falar dos bukatsu (部活), os clubes escolares que você vê constantemente em animes, tanto em escolas públicas, quanto em privadas. Aí a comparação se torna mais dolorosa pela bruta realidade das falhas que nossa fraca cultura dispõe. Nossos eventos não tem foco, na maioria das vezes. São proibitivamente caros, espaçados, e centrados em São Paulo na maior parte.
Eventos suntuosos e queridinhos da grande mídia, cheios de marcas estrangeiras — que vale dizer, não sou contra nada disso — porém, têm agregado em algo para a nossa cultura? Têm estimulado autores, criando pontes para o mercado, ou feito transferências de tecnologia e know-how? Uma das maiores preocupações desde que comecei a envolver-me com eventos grandes, é exatamente o fator agregativo.
O terceiro obstáculo

Repito: maior colônia japonesa fora do Japão, grandes investimentos e empresas com relações bilaterais, sétima maior população do mundo; como mostrei em números e fontes das mais variadas vertentes jornalísticas, um mercado pífio e um público estagnado.
Realmente, temos poucas empresas que confeccionam mangás, que preferem uma abordagem conservadora quanto a tiragens e obras, preferindo obras mais conhecidas e de momento para gerar dividendos. Perceba o paradoxo: comunidades com pouco ou nulo impacto e divulgação de obras diferentes, e empresas sem interesse ou razão de expandir o portfólio.
Quantos animes eu e meus amigos não trouxemos aqui nestes anos, que a comunidade fingiu que nem existia? Quantos mangás o nosso Welerson não traz mensalmente como recomendação, que são ignorados por aí? Um se conecta ao outro! O mercado não cresce justamente por nossas comunidades não crescerem, e sequer, evoluírem. Em pleno 2026, dependemos de traduções feitas por fãs para termos acesso a uma obra em específico.

Isso era coisa que se fazia em lojinha da Liberdade nos anos 80/90; com todo respeito a quem faz, pois eu já estive em scanlations no Brasil. Trabalho sem remuneração, sem apoio amplo, sem perspectivas de futuro! Temos MANGA Plus e Manga Million⁹ (Shueisha), não dá para competir com isso. Deveríamos focar, meramente pela demanda, em trazer mais serviços. ⁹MANGA MILLION | 1 milhão de páginas traduzidas
Se as grandes feiras de automóveis do mundo atraem a atenção de concessionários — criando laços de negócios sérios — quero saber algo: que raios as convenções estão fazendo? Em parte, é retórico. Quando cobrí o Bon Odori em 2023, foram duas etapas: a inicialização para a imprensa, e o evento principal. Para a imprensa, estava correndo de um lado ao outro para falar com quem pude — enquanto a imprensa tradicional, estava filando boia.
Mas, e a parte dos realmente interessados no segmento? Quantos cosplayers não se viram como podem, pois compreendem o que eventos como este o podem render neste aspecto cultural. Japoneses lucram rios de dinheiro criando cosplays, enquanto os nossos, sofrem com EVA e o que puder encontrar, para dar o melhor de si nas fantasias.
Diretrizes para um novo eixo cultural

Mas, há uma solução pra isso. Não é repetição vazia ou discurso ilusório, são fatos que precisam estar alinhados no imaginário popular: o governo japonês estabeleceu a meta de expandir o mercado internacional para US$ 129 bilhões até 2033¹⁰; como que ninguém está indo atrás disso? Quantos desenhistas e autores talentosos não estamos perdendo anualmente por conta da falta de perspectiva no mercado? ¹⁰「子ども向けが少ない」庵野秀明・山崎貴が抱く危機感と日本発エンタメ・文化の未来 | Forbes JAPAN 公式サイト(フォーブス ジャパン)
E se tem alguém pensando de viver fazendo comissões de arte, tenho uma péssima notícia pra te dar: arte sem obra é como teoria sem prática — não vai te levar muito longe. E não será uma pessoa a fazê-lo, se não, um coletivo pluralizado e minimamente ciente disso.
As diretrizes são mais fáceis de executar do que se imagina: regionalização de eventos pelo país e inicialização de artistas locais; estabelecer vínculos com pares japoneses por estes eventos; projeção por obras; desfragmentação artística. O Brasil sofre em todas as áreas por conta da falta destas diretrizes.
Regionalização e eventos locais

Para começar a trabalhar a ideia, comecemos pela regionalização: de Goiânia a São Paulo são 901 km e 12 horas de viagem — por menos que isso, você sai de Zurique e vai até Brno na República Tcheca e outros dois países no processo. Não há como ficar dependendo de megaeventos excessivamente caros e distantes da maioria dos fãs; sem contar os futuros fãs em potencial que poderiam ser incorporados e direcionados
Esqueça momentaneamente as escolas, principalmente as públicas. É legal a ideia de um ambiente infanto-juvenil seguro e estabelecido para este tipo de atividade, mas com o que venho discutindo há tempos por aqui, e de pessoas que conheço dentro dos meios de ensino, a nossa área poderá sofrer perseguições, ou pelo menos, barreiras complicadas (se conseguir, sem problemas).
E digo isso com pesar, não por pessimismo. Diferente dos japoneses, onde já possuem uma infraestrutura e mecanismos legais para fazerem seus eventos em escolas. Não temos nada disso — e se tem um meio que é virtualmente intransponível no Brasil, é o ensino público.

Há, porém, outros meios interessantes e pouco utilizados: centros comerciais, salões de eventos, associações de moradores, espaços comuns de condomínios — até mesmo as ruas, como as feirinhas do seu bairro. Da perspectiva de quem já trabalhou em eventos grandes, sendo assessor de pilotos e equipes em corridas de rua, onde cinco mil pessoas aparecem por noite, e que food trucks e outras vendas de comida vêm por tabela, um espaço público comum é ideal para isso!
E nem todo evento precisa nascer pequeno para um dia ser grande; eventos locais são mais fáceis, baratos e rápidos de organizar do que ter de se preocupar em alugar um centro de convenções. Sem estes eventos pequenos em bairros e pequenas cidades, os maiores de importância regional não subsistem — de tabela, os maiores eventos são esvaziados, como foi no caso da UcconX¹¹, que noticiei quatro anos atrás! ¹¹UCCONX 2022, Entendendo um flop! – Anime United
Foco principal: atrair autores e nomes da arte regional, provocar discussões sobre a área, estimular o consumo de acordo com cada realidade local e alcançar público mais distanciado. A primeira obra de um autor é estabelecida e conhecida, o evento movimenta pessoal regional considerável, o que o impulsiona como evento local, alcançando prestigio para si, e para seus participantes.
Desfragmentação e obras coletivas

Se algo movimenta um bom público, nem que sejam 300 ou 500 pessoas, de forma consistente e com fundamentos, isso gera demanda e atração por seus pares — aqui uma mão vai lavando outra. Outro ponto resolvido nessa mesma ação é a desfragmentação: quanto mais artistas convergirem dentro de uma mesma proposta, mais facilmente aquele meio subsiste.
Um entra com a terra, outro com o arado, e outro com as sementes; unidos, geram uma colheita no que era um cenário de escassez. Há autores com potencial, e sem referenciais próximos, acabam se perdendo e abandonando a área por esta falta. Basta ver que várias obras japonesas só existem por ter um criando personagens e enredo, enquanto outro desenha e traz a ideia para o mundo real.
Com tudo isso, a necessidade de criar obras para demonstrar valores e capacidades se transforma no novo habitual, onde só existiam rabiscos e esboços incompletos. Quanto mais houver obras, por outro lado, novas ofertas no mercado geram interesses econômicos.
Vínculos com pares japoneses

Basta ver no que o Japan Expo, em Paris, se tornou: um grande hub da cultura japonesa em toda a Europa; quando as atrações se tornam complementos de uma estrutura sólida e bem organizada. Eu sei que é legal a ideia de trazer uma Machico, Ado, e outros do cenário artístico japonês — eu adoraria assistir a um show do Baby Metal — mas isto é um meio, não pode ser o objetivo final.
Vão por mim, assim como um evento esportivo bem organizado passa a atrair grandes nomes, eventos culturais do entretenimento seguem a mesma lógica. O Brasil tem a faca e o queijo na mão, mas não consegue se tornar atrativo de forma consistente.
Já exibi em várias matérias quantos nomes o Brasil tem: Maurício Ossamu trabalhou com o monstro Tetsuo Hara; o criador do aclamado No Game, No Life é brasileiro, caramba! Nós temos potencial, temos mercado, temos povo, e os nipônicos querem investir. O que mais você quer para mudar a situação? O Brasil é vasto, e não há uma fórmula mágica, se não, regionalizar tudo e fazer o trabalho de formiguinha.
Projeção por obras e integração artística

Sem isso, não teremos investimentos em novas gráficas e editoras para criar um mercado robusto, nem melhorar as que já estão sofrendo por saturação de produtividade. Os japoneses têm obras para oferecer, e nós temos pessoal para consumir e apoiar; se o consumidor for esperto e der a oportunidade, preços de mangás não serão mais um problema, muito menos a pouca exibição de material.
Artistas serão descobertos, prosperarão num meio que se tornou uma commodity poderosa, para que assim, tenhamos um ecossistema artístico pleno no Brasil. Eventos grandiosos e inacessíveis não são a chave, são o fim da cadeia. Quanto mais isso se demonstrar, melhor será para nós, os verdadeiros fãs do entretenimento que está tomando conta do mundo!
Mais animes disponíveis de forma oficial, como foi o caso de Akane-Banashi — e animes dublados, ainda por cima. Mais material oficial, consequentemente, mais mercado por menos preço. A comunidade atual precisa compreender que, mais do que nunca, somente a bolha atual do fã ocidental não será o bastante para resolver os problemas que se aproximam de nossas vistas.