Primeiras Impressões: Ao No Hako – 2ª Temporada

Ficha Técnica – Ao No Hako
Gênero: Romance, Esporte, Slice of Life
Estúdio: Electric Circus
Origem: Mangá
Estreia: 4 de outubro de 2026
Sinopse:
A trama gira em torno de Taiki Inomata, um jovem jogador de badminton apaixonado por Chinatsu Kano, uma talentosa jogadora de basquete que também estuda na mesma escola. Taiki admira Chinatsu de longe, inseguro sobre seu valor em comparação à estrela que ela é no esporte. Apesar de sua timidez e dúvidas, ele nutre esperanças de que ela, algum dia, possa notá-lo. Para sua surpresa, não só Chinatsu o percebe, como é bastante amigável com ele. Ambos têm algo em comum: são os primeiros a chegar à escola para seus treinos diários. No entanto, uma reviravolta surge quando Chinatsu enfrenta a possibilidade de deixar a escola, e Taiki se vê confrontado com a ideia de perder sua proximidade com ela.

A primeira temporada de Blue Box terminou com um pedido de encontro. A segunda começa com ele acontecendo e o episódio de estreia tem a elegância de entender que não precisa fazer mais do que isso para funcionar. Taiki e Chinatsu saem juntos de verdade pela primeira vez, e o episódio inteiro existe nesse espaço pequeno e carregado de coisas não ditas que a série sempre soube habitar melhor do que qualquer romance jovem recente.
A mudança do Telecom Animation Film para o Electric Circus e da direção de Yuichiro Yano para Daisuke Sakou gerava receio real e o episódio os dissolve com naturalidade. O que permanece é o que mais importava: Yuko Kakihara na composição de série e no roteiro, Miho Tanino no design e na direção geral de animação, Takashi Ohmama na trilha. O visual não apenas se mantém, há um ganho perceptível no cuidado com iluminação e cor, e o storyboard de Sakou tem um ritmo mais enxuto que o da temporada anterior, sem a sensação ocasional de conversa que se esticava além do necessário. Os silêncios emocionais continuam respirando. A cena do vestiário feita inteiramente de expressão e hesitação, sem uma linha de diálogo que explique o que Chinatsu está sentindo. É o momento mais forte do episódio e prova que a direção entende o que torna essa série especial.

A trilha de Ohmama mantém o tom íntimo que a primeira temporada estabeleceu. A abertura “Anata no Hana no Iro“, de aiko, é bonita e o vídeo tem cuidado visual, ainda que com animação mais contida. O encerramento “blue in“, de Elsewhere Kikou, fecha bem o episódio. Nenhuma das duas músicas, porém, chega perto das quatro faixas da temporada anterior que tinham uma qualidade de acompanhar o estado emocional da série com precisão rara.
A estrutura do encontro, da intromissão de Matsuoka e da quase-confissão segue o mangá de Kouji Miura com fidelidade. O desvio anunciado para o arco de Yumeka é para dar mais ênfase e tempo no passado de Chinatsu. É não uma reescrita. Kakihara entende que o que funciona em Blue Box não está nos eventos, está no espaço entre eles, e o episódio é construído a partir dessa consciência. Um fato importante: ao contrário da primeira temporada em que a dublagem em português só chegou à Netflix em abril de 2025, meses depois que a temporada havia terminado, a segunda temporada estreia com legendas e dublagem disponíveis simultaneamente desde o primeiro episódio.

Expectativas:
Blue Box voltou sendo o que era e sendo um pouco melhor em como se move. O primeiro episódio funciona como reapresentação doce da dupla e como gancho preciso do conflito que vem a seguir, sem apressar nada e sem desperdiçar o peso do que ficou pendente. A confissão não veio. Yumeka está na jogada. E Taiki ainda não conseguiu soltar a bola no momento certo o que, para quem acompanha esse mangá, é exatamente onde a segunda temporada precisa começar.
Nota: 4,0/5,0