Primeiras Impressões – Nijusseiki Denki Mokuroku: Eureka Evrika
Após oito anos sem lançar uma série inédita para a televisão, a Kyoto Animation retorna com uma aventura steampunk que impressiona pela direção de arte, construção de mundo e potencial narrativo.

Ficha Técnica – Nijusseiki Denki Mokuroku: Eureka Evrika
Gênero: Drama
Estúdio: Kyoto Animation
Origem: Light Novel
Estreia: 5 de julho de 2026
Foram oito anos de espera para ver a Kyoto Animation apresentar uma nova série inédita para a televisão. Desde Tsurune (2018), o estúdio concentrou seus esforços em continuações, filmes e projetos derivados, tornando Nijusseiki Denki Mokuroku: Eureka Evrika um verdadeiro marco para os fãs que aguardavam uma obra completamente nova.
Felizmente, o episódio de estreia mostra que a espera valeu a pena, entregando uma produção que aposta em uma ambientação rica, personagens cativantes e uma narrativa que desperta curiosidade desde os primeiros minutos.
Ambientado em uma versão alternativa do Japão do início do século XX, o anime imagina um mundo em que a eletricidade nunca se tornou a principal fonte de energia. Em seu lugar, a tecnologia movida a vapor impulsionou o desenvolvimento da sociedade, criando um cenário que mistura elementos históricos com uma forte estética steampunk. É justamente essa construção de mundo que se torna o maior destaque do episódio, apresentando um universo cheio de personalidade sem recorrer a longas explicações.

O roteiro acerta ao não entregar todas as respostas logo de início. Em vez disso, conduz a narrativa de forma gradual, permitindo que o espectador descubra aquele universo ao lado dos protagonistas. Essa construção ajuda a manter um clima constante de mistério, ao mesmo tempo em que apresenta Kihachi e Inako de maneira natural.
Mesmo com pouco tempo de tela, a dupla demonstra boa química e carisma, enquanto os acontecimentos finais deixam claro que desafios muito maiores os aguardam nos próximos episódios. Visualmente, a Kyoto Animation mais uma vez reafirma sua excelência. Os cenários são extremamente detalhados, a iluminação valoriza cada ambiente e a fluidez da animação reforça o cuidado característico do estúdio.
A única ressalva fica por conta do ritmo mais contemplativo da estreia, que prioriza a apresentação do mundo e de seus personagens antes de investir em grandes momentos de ação. Embora essa escolha possa afastar quem esperava um início mais acelerado, ela estabelece bases sólidas para o desenvolvimento da história e demonstra confiança na narrativa que pretende construir.

Sinopse:
“A história se passa no verão de 1907, no 40º ano da Era Meiji, e acompanha Inako Momokawa, uma jovem de 15 anos que vive na região de Fushimi, em Kyoto, como a segunda filha de um fabricante de saquê . Nada do que Inako faz parece dar certo, e ela acaba levando broncas diárias do pai, encontrando consolo apenas na fé e em suas orações aos deuses.
Durante uma visita ao santuário Fushimi Inari, Inako conhece Kihachi Sakamoto, um jovem livre e despretensioso que rejeita os deuses e proclama a chegada de uma nova era movida a eletricidade . Quando o assunto casamento surge em sua casa e seu pai tenta decidir tudo sozinho, Inako quase perde as esperanças até que Kihachi desperta nela o desejo de fugir desse destino imposto .
A única forma de impedir o casamento é encontrar um livro peculiar chamado “Catálogo Elétrico”, uma obra de previsões sobre eletricidade que Kihachi escreveu na infância, mas que foi levada por seu irmão mais velho, Seiroku, e desapareceu desde então . Inako e Kihachi partem então em uma jornada por Kyoto e pela província de Shiga em busca desse livro, enquanto encaram uma época de grandes mudanças tecnológicas e sociais.”

Expectativas:
Com uma estreia que prioriza a construção de seu universo em vez de grandes reviravoltas, o episódio inicial deixa diversas perguntas no ar. Qual é o verdadeiro poder do Catálogo Elétrico? Quais são os interesses das figuras que perseguem essa tecnologia? E, principalmente, qual será o papel de Kihachi e Inako nessa disputa? São questionamentos que despertam a curiosidade e criam uma expectativa positiva para os próximos episódios, indicando que a série ainda tem muito a explorar.
Nota: 4,0/5,0