Primeiras Impressões: Sasaki to Pii-chan – 2ª Temporada

Ficha Técnica – Sasaki to Pii-chan
Gênero: Fantasia, isekai, comédia, ação sobrenatural
Estúdio: SILVER LINK
Origem: light novel
Estreia: 7 de outubro de 2026, na Crunchyroll
Sinopse:
Cansado de uma rotina de trabalho exaustiva e de uma vida marcada pela solidão, Sasaki decide adotar um adorável passarinho. O que ele não imagina é que seu novo companheiro é, na verdade, um poderoso sábio de outro mundo! Ao ganhar habilidades sobrenaturais e a capacidade de viajar entre dimensões, Sasaki vê a oportunidade perfeita para conquistar a vida tranquila que sempre desejou. Mas, entre magia, conspirações e perigos inesperados, seu sonho de paz está prestes a se transformar em uma grande aventura!

Sasaki and Peeps, nome oficial pela Crunchyroll, sempre viveu da bagunça. Um assalariado de meia-idade, um pardal que é na verdade um sábio de outro mundo, comércio interdimensional, agentes psíquicos do governo, garotas mágicas; a série nunca teve medo de empilhar gêneros, e por um tempo isso foi o seu charme.
A 2ª temporada abre com um especial de quase uma hora que deveria reorganizar todas essas peças com calma. O que entrega é o oposto. Na teoria, o formato longo faria sentido. Na prática, tudo desmorona no mesmo ritmo em que é jogado na tela. O SILVER LINK. segue à frente da animação, agora com Yūshi Ibe promovido à direção depois de atuar como assistente e diretor de episódios na 1ª temporada, e com Deko Akao mantida na composição.
A troca de comando aparece em alguns trechos de animação mais caprichados, e a trilha sonora, agora assinada pela nova dupla de produtores musicais, sustenta bem os momentos de tensão. O problema não está na execução técnica, e sim na montagem. O especial soa como dois episódios colados à força, sem costura e sem uma ideia clara de qual história quer contar primeiro.

Adaptar uma light novel que mistura tantos núcleos exige escolhas, e “Mãe e Filho” se recusa a escolher. O arco de Otonari pedia espaço, silêncio e cuidado. Ele recebe meia hora espremida antes de o episódio saltar para política de corte, sem transição e sem respiro. Quando a série decide tratar abuso infantil e tentativa de violência sexual, o tema não pode servir apenas de gatilho para apresentar um demônio.
É exatamente isso que acontece aqui. O peso entra, choca e é descartado na cena seguinte, e o tom habitualmente leve e absurdo da obra transforma esse contraste em desconforto, não em impacto dramático. O que se salva é o compromisso da série com a própria identidade. Sasaki and Peeps não tenta parecer normal, e Peeps continua sendo o melhor personagem em cena, um pássaro racional cercado de caos por todos os lados.
A trama também avança de forma concreta — pelo menos tenta — com Sasaki ganhando status e terras e Otonari entrando de vez no conflito sobrenatural. Mas avançar não é menos de desenvolver, e nenhum desses movimentos ganha o tempo necessário para ter peso. Há ainda um problema recorrente que o episódio só agrava. Quase todas as personagens femininas que orbitam Sasaki são meninas menores de idade, e a decisão de abrir a temporada expondo justamente uma delas a violência sexual, como mero motor de enredo, torna esse padrão impossível de ignorar.
Expectativas:

Depois do especial, a temporada volta ao formato convencional, com 12 episódios no total. É pouco espaço para tantos núcleos, e o ritmo da adaptação será decisivo. Se os próximos capítulos escolherem um foco e derem ao arco de Otonari a seriedade que ele exige, ainda há como recuperar o terreno. Se mantiverem a lógica de despejar tramas sem desenvolver nenhuma, a série corre o risco de transformar a bagunça que era seu charme em simples desordem.
Nota: 0,5/5