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Artigo

Review: One Piece Grand Gourmet – Quando o talentoso cozinheiro de One Piece vira o centro de um simulador surpreendente

Jeferson Marciano
© One Piece Grand Gourmet

Jogos baseados em anime costumam seguir dois caminhos previsíveis: ou tentam recontar trechos da história em formato de RPG linear, ou apostam em lutas que raramente convencem. One Piece: Grand Gourmet foge dos dois. Em vez de repetir o que já vimos, a Bandai Namco resolveu apostar em algo diferente e ousou colocar Sanji no centro de um simulador de gerenciamento de restaurante. O resultado é uma experiência estranha no melhor sentido da palavra — e bem mais interessante do que se espera.

A premissa

A história começa de forma bem simples e eficaz. Depois de uma confusão no Baratie, Sanji e Luffy descobrem que alguém clonou o restaurante flutuante e está destruindo a reputação dele com comida ruim e preços abusivos. A solução? Tomar o controle do clone e transformá-lo no estabelecimento mais famoso dos mares.

A partir daí, o jogador assume o papel de um aprendiz de cozinha que ajuda Sanji a construir, expandir e gerenciar esse novo Baratie. O que começa como uma missão de recuperação de imagem se transforma em uma longa jornada pela Grand Line, seguindo a ordem cronológica dos arcos do mangá.

© One Piece Grand Gourmet

O que realmente funciona

O grande acerto do jogo está no loop de gerenciamento. Montar pratos é genuinamente divertido. Você combina prato principal, acompanhamento, sobremesa e bebida, e cada combinação tem impacto real no faturamento e na satisfação dos clientes. Quanto mais um prato é vendido, mais ele evolui. É um sistema simples, mas que cria uma sensação constante de progressão.

A customização também surpreende. São centenas de itens de decoração, temas inspirados em arcos clássicos (Wano, Alabasta, Skypiea etc.) e liberdade para alterar o nome e a apresentação visual de cada receita. O restaurante realmente parece seu depois de algumas horas.

Outro ponto forte é a quantidade absurda de personagens. Com mais de 400 figuras da obra, o jogo se torna o título de One Piece com o elenco mais vasto já reunido. Não são só os protagonistas. Aparecem comerciantes esquecidos, figurantes marcantes e até vilões de peso. E o melhor: o jogo cria interações inéditas entre personagens que nunca se encontraram no mangá. Para quem acompanha a obra há anos, esses encontros são o verdadeiro prato principal.

A progressão geográfica também funciona bem. O restaurante avança pelos mares na mesma ordem da história original. Reencontrar cada membro do Bando do Chapéu de Palha libera novas mecânicas (construção, descontos, treinamento, missões), o que dá um bom senso de recompensa.

© One Piece Grand Gourmet

A apresentação

Visualmente, o jogo é um dos pontos mais altos. A pixel art captura com precisão o traço exagerado e cômico de Eiichiro Oda. As expressões dos personagens são fiéis e cheias de personalidade. O cuidado com os detalhes é evidente: cada cliente tem preferências gastronômicas coerentes com sua personalidade no mangá, e a afinidade com eles realmente importa.

Infelizmente, a trilha sonora não acompanha o mesmo nível de cuidado. As músicas são originais e pouco variadas. Depois de algumas horas, a repetição começa a cansar. É o ponto mais fraco da apresentação.

Os problemas

Nem tudo funciona tão bem quanto a premissa promete. A interface é o principal vilão. Como o jogo também foi pensado para celular, os menus no console ficam confusos e pouco intuitivos no começo. Faltam atalhos básicos, a câmera no modo de construção é limitada e não existe uma opção clara de pausar o tempo fora da edição.

O sistema de saves também é estranho. Trocar de arquivo exige fechar o jogo completamente, o que quebra o ritmo. No Switch 2, o Modo Qualidade apresenta alguns engasgos leves, embora a performance geral seja boa.

Esses problemas não destroem a experiência, mas atrapalham o que poderia ser um simulador bem mais fluido.

© One Piece Grand Gourmet

Veredito

One Piece: Grand Gourmet é um daqueles jogos que acertam a alma da franquia mesmo sem seguir a fórmula tradicional. Ele troca a ação frenética por uma gestão descontraída, repleta de nostalgia e carinho pelos personagens. O loop de criação de pratos e a quantidade absurda de referências fazem o tempo passar rápido.

A interface confusa e a trilha repetitiva impedem que ele seja excelente, mas o saldo final ainda é positivo. Para fãs de One Piece, especialmente quem gosta de Sanji e do universo gastronômico da obra, é um título fácil de recomendar. Para quem busca apenas um simulador casual charmoso, também entrega.

Nota final: 7,5 / 10