Chainsaw Man: O Filme – O Arco da Reze, a Bandeira Japonesa e a Parábola do Rato do Campo Quando Chainsaw Man fala sobre pertencimento

Alex Kurt
(redator)
Chainsaw Man
©Chainsaw Man

A morte de Reze em Chainsaw Man – O Filme: O Arco da Reze nunca foi apenas uma cena de impacto. Ela acontece sob o enquadramento direto da bandeira do Japão, um detalhe visual que transforma a tragédia pessoal da personagem em um comentário simbólico poderoso sobre pertencimento, exclusão e o peso do Estado. Reze, uma estrangeira moldada como arma, morre no exato momento em que tenta escolher uma vida comum — e o símbolo nacional marca esse ponto final sem qualquer romantização.

A sequência funciona como uma releitura cruel da parábola do rato do campo e do rato da cidade. Reze representa o rato que sonha com o campo: uma vida simples, segura, escolar, longe da violência. Já Denji é o rato da cidade, moldado pelo caos, pela brutalidade e pela sobrevivência diária. Quando os dois se encontram, a obra sugere a possibilidade de troca — mas, como na fábula, o mundo urbano (violento, estruturado, impiedoso) inevitavelmente invade o espaço do sonho. Em Chainsaw Man, o campo não é frágil por acaso: ele não é permitido.

A presença da bandeira japonesa reforça esse subtexto. Ela não simboliza acolhimento ou lar, mas ordem, controle e soberania. Reze não morre por ser fraca ou vilã, mas por tentar deixar de ser útil ao sistema. Seu fim, executado por Makima, é o retrato de um Estado que aceita a força estrangeira enquanto ela serve a um propósito — e a elimina quando essa força tenta existir como indivíduo. É uma leitura que ecoa discussões contemporâneas no Japão, hoje marcado por um discurso cada vez mais rígido sobre identidade nacional, fronteiras e imigração, mesmo diante de crises demográficas evidentes.

Ao conectar tragédia íntima e símbolo nacional, Chainsaw Man faz algo raro: usa o espetáculo para discutir quem pode pertencer e quem deve ser descartado. Reze não falha por amar, nem por hesitar — ela falha por desejar uma vida que o mundo não quer conceder. No fim, a bandeira não diz “bem-vinda”. Ela diz: “este lugar nunca foi seu”.


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