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Vamos falar de: Impressões do Meio.

Josenilson Vinicius
©Anime United

Fazia um tempo que não fazia um texto como esse, falando sobre o que estou achando dos animes da temporada, pois geralmente não tinha tempo para comentar os animes que estão saindo, fora que não vejo tudo, então minha opinião fica limitada àquilo que consumo. Porém, eu venho falar dos animes desta temporada por um acaso: não temos nada no site sobre Super no Ura de Yani Suu Futari (Smoking Behind the Supermarket with You/Fumando nos Fundos do Supermercado com Você), então restou a mim fazer algo.

©Super no Ura de Yani Suu Futari/Asahi Production

Super no Ura de Yani Suu Futari

©Super no Ura de Yani Suu Futari/Asahi Production

Sem muito rodeio, vamos falar de Super no Ura de Yani Suu Futari é um anime de comédia romântica padrão, sem muitas voltas. Temos um herói e uma protagonista, já que sempre a personagem feminina tenta fazer algo por romance, enquanto o seu par é um lerdo tapado que não consegue exclamar sua paixão por causa do seu papel na sociedade, como a japonesa que qualquer demonstração romântica é mal vista. Todavia, seu diferencial, que é seu principal ponto de venda: serem personagens adultos; o que permite conflitos novos para esse tipo de história, como questões de estresse no trabalho e, infelizmente, entrar no tópico do cigarro, desconsiderando os problemas de saúde que viraram uma historinha durante os episódios. É um tópico que, para o Japão, remete à vida adulta, então é entendível a peripécia da narrativa comece por ele.

©Super no Ura de Yani Suu Futari/Asahi Production

Sinopse:

Sasaki é um funcionário sobrecarregado que vive à deriva na rotina corporativa, sustentado pelos cigarros e pelo atendimento alegre e sorridente de Yamada, a balconista de seu supermercado favorito. Mas, certa noite, após um turno exaustivo, ele chega atrasado e não encontra Yamada em lugar algum. Sem ter onde fumar, ele desanima — até que uma jovem com piercings o chama: “Você pode fumar aqui.”

 Sasaki é um assalariado típico do Japão, que vai trabalhar até morrer, então ele não tem vida social e seu único interesse romântico possível seria um caixa de supermercado, como a Yamada é, mas não tinha ninguém para exparecer o estresse, fumar um cigarro junto, falar sobre coisas da vida. Foi assim que ele conheceu a Tayama, que, para aqueles que não sabem, é a própria Yamada, que também sofre as mesmas coisas que ele, mas ambos podem se abrir e criar uma amizade, algo esperado para um relacionamento adulto que pode virar amor. 

©Super no Ura de Yani Suu Futari/Asahi Production

 Uma crítica que tenho a esse tipo de romance é sempre ver a heroína ter menos de trinta anos, a Yamada é uma personagem bem escrita, bem bonita, mas ela ter o número do veado de idade me incomoda. Sei que a questão de idade some quando a parte passa dos 18, mas o fato de o Sasaki já estar na meia-idade dá uma liberdade poética de que nunca se é velho para amar, mas ela poderia ter mais idade para mostrar o conflito que mulheres japonesas passam quando “não têm mais idade para casar”, porém a obra apresenta a Gotou e sua dinâmica de ainda ler histórias românticas melosas, mesmo tendo quarenta anos. Eu já tomei alguns spoilers dela, o que me deixa animado para ver os próximos episódios que virão, por agora, ela entra nessa vacância.

©Super no Ura de Yani Suu Futari/Asahi Production

 Falando disso, já interligando com os temas de aberturas e encerramentos, a série possuiu dois lançamentos, um com episódios completos, que inclusive estão sendo disponibilizados atualmente, e um conjunto de doze miniepisódios que foi disponibilizado previamente pelo streaming japonês Abema e a Crunchy pegou esses miniepisódios e também os disponibilizou para nossa região, mas há uma, não duas diferenças que consistem na troca da abertura e encerramento das versões, porém ambos possuem os mesmos artistas em respectivas posições. Por isso, a abertura para TV, Ichijiku Kemuri (イチジク煙/Fumaça da Figueira) da ZUTOMAYO, conversa bastante com a proposta da obra, por parecer um anemoia de obras dos anos 1990 para 2000, com um ritmo de balada suave que cresce no decorrer da música, meio que por isso gosto dela em vez da abertura dos miniepisódios; porém, o que vende bastante a obra é o encerramento dos miniepisódios; os embalos noturnos que NIGHT DANCER do imase, nos constagia e se dissipa como uma fumaça, um ótimo hit para fechar um miniepisódio e fica impregnado na nossa mente.

©Super no Ura de Yani Suu Futari/Asahi Production

Tetsunabe no Jan!

©Tetsunabe no Jan!/TROYCA

 Normalmente acho ok quando uma obra possui um disclaimer de que a história é fruto do seu tempo, pois narrativas são frutos de sua época, carregando suas ideias e seus pensamentos contemporâneos; algo que acho reprovável quando vejo hoje em dia gente reclamar de datação de obra só porque a legenda/dublagem possui alguma gíria atual em animes atuais. Se animes são arte, eles conversam com sua época, muita coisa do Ghibli mostra isso, mas sua mensagem é transtemporal, independente do seu texto alterado, algo que quem consome um pouco mais uma mídia sabe que isso ocorre já a partir da tradução. Porém, vejo o indicativo da época como um escudo para Tetsunabe no Jan! (Iron Wok Jan!), já que estamos recebendo adaptações e remakes de obras antigas, sendo que muitas delas sem alterações, mas a obra mostra alguns motivos para tal no decorrer dos episódios.

©Tetsunabe no Jan!/TROYCA

Sinopse:

Jan é um mestre-cuca diabólico especializado em culinária chinesa, que não mede esforços para derrotar seus adversários. Uma história cheia de adrenalina, onde os excêntricos personagens desafiam os princípios éticos e encaram a culinária como magia, criando todos os tipos de pratos extravagantes. Jan está preparado para enfrentar a batalha da culinária chinesa e desafiar o mundo!

 Estamos na era da nostalgia, não só nos animes; várias produções estão recebendo remakes ou continuações para atingir um público mais antigo, mas também um novo público que a desconhece. Essas adaptações seguirão dois caminhos principais: atualizarem-se para a nova era, estou de olho em você, Super Campeões (Captain Tsubasa) de 2018, ou se mantêm com a ideia da época, mas ignora alguns elementos problemáticos presentes nela, Tetsunabe no Jan! segue claramente o segundo, já que os disclaimers deixam claro que estes problemas explicando ou entrando em tela para falar que os elementos são datados e/ou errados, mas um acontecimento no episódio dessa semana, 5º para aqueles que lerão no futuro, mudou esse pensamento.

©Tetsunabe no Jan!/TROYCA

 Na verdade, havia uma outra cena logo no segundo episódio que me deixou perspicaz sobre o uso do disclaimer que envolve Otani Nichido, um crítico culinário de 66 anos que é apresentado como o primeiro vilão do Jan justamente pela soberba presente em ambos, mas o motivo de citá-lo foi quando, no final deste episódio, o Jan falou o nome completo (Akiyama Jan) e, como o dono do restaurante em que Jan está trabalhando era o rival do avô dele, tivemos um flashback do Otani criança, com 9 anos, em que vemos o avô de Jan e seu rival servindo para o exército, lembrando que Tetsunabe no Jan! passa-se em 1995, a obra sempre reforça isso e espero que sua matemática e história estejam em dia, mas, caso você não tenha ligado os pontos, pesquisem sobre a Segunda Guerra Sino-Japonesa para saber o porquê desse flashback não ser animado. Falando nisso, foi uma boa escolha apenas mostrar os quadros, pois essa problemática afeta até hoje o país. Então, para ainda simbolizar o início desse conflito sem desrespeitar o público internacional, não animar esse acontecimento, mas mostrando por meio dos frames estáticos.

©Tetsunabe no Jan!/TROYCA

 Mas o quinto episódio me quebrou, justamente pela sopa do Jan, pois mostra que a década de 1990 não era uma bagunça quanto muita gente tenta vender; houve uma discussão sobre essa cena da sopa de cogumelos, até mesmo foi vetada primeiramente, mas o autor conversou com o editor da revista para passar na publicação. Isso deixa claro que havia limites, principalmente porque os cogumelos usados na época não são alucinógenos, mas a junção deles foi  classificada como sim pelo próprio governo japonês. Inclusive, no próprio episódio, recebemos essa informação, mostrando que havia sim restrições e que o ponto de venda de ser um “Proibidão” chega a ser mentiroso, mas a obra é sim interessante, se você não for frágil em assistir comendo, pois temos um Battle Shonen padrão, em que o “poder” é a comida e uma bem feita.

©Tetsunabe no Jan!/TROYCA

Reiwa no Dara-san

©Asahi Production/Reiwa no Dara-san

Eu gosto bastante de comentar animes durante sua exibição, para comentar sobre obras que estou acompanhando, até mesmo em obras que fiz as primeiras impressões para falar de mudanças durante a temporada, porém me surpreende que Reiwa no Dara-san (Dara-san of the Reiwa Era/Dara-san, a monstrenga moderna) tenha mudado o tom já no segundo episódio.

©Asahi Production/Reiwa no Dara-san

Sinopse:

Os irmãos Hinata e Kaoru certo dia decidem se aventurar além das cercas de uma montanha proibída e se deparam com a aterrorizante deusa serpente Yamatagimadara. Porém algo inusitado acontece: quem se assusta é a deusa diante da reação descontraída dos dois em sua presença. Os três formam uma amizade inesperada e disso surgem muitas aventuras engraçadas e comoventes.

O anime pode ser claramente dividido em três partes: a Slice-Of-Life que serviu para apresentar a obra, deixando o anime como se fosse uma obra interiorana de comédia, em que dois personagens, geralmente crianças, brincam com a divindade local, mas aqui a tag +18 referencia o ecchi sem censura da obra. Não irei falar tanto desse ponto para não me repetir das minhas Primeiras Impressões. 

©Asahi Production/Reiwa no Dara-san

A segunda parte é a histórica, que conta como a Darasan virou a divindade. Aqui vemos um clima mais obscuro, nebuloso e até mesmo cruel, que quebra a imersão da narrativa de tão destoante em relação ao lado Slice-Of-Life. Possivelmente explica os dois roteiristas da série, já que cada um possui experiência em determinado gênero, então cada parte fica com sua expertise, mas isso prejudica a junção da obra, porque essas partes são bem distintas e não conversam entre si, o que precisa de mais um elemento para conectar entre elas.

©Asahi Production/Reiwa no Dara-san

Aqui entra a terceira parte da história, que pensei que era exclusiva da parte histórica, mas o terceiro episódio quebrou isso, pois a tag +18 não ficou só por causa do ecchi, mas sim no gore. O horror é um elemento que prenumbra em ambas as partes, mas ele é bem rarefeito, o que, para horror, funciona bem, principalmente pelo fato de o autor gostar da Lei Brasileira nº 12.015 de 2009, então ele consegue trabalhar o medo do desconhecido bem, algo que ambos os roteiristas entenderam bem e adicionaram em suas partes. O medo do desconhecido permeia o anime, o que agrega bastante a obra.

©Asahi Production/Reiwa no Dara-san

Porém, essa divisão clara incomoda durante os episódios, pois a mudança entre elas parece brusca, mas o fato de termos dubladoras famosas e o ecchi parecer interessante me faz ainda recomendar a obra, mas saiba que a tag +18 não é só para isso.

©Asahi Production/Reiwa no Dara-san

Tenmaku no Jaadugar

©Tenmaku no Jaadugar/Science SARU

Por fim, chegamos ao verdadeiro sucesso, Tenmaku no Jaadugar (A Witch’s Life in Mongol/A Bruxa da Mongólia) possui um bom estúdio por trás, como o Science Saru um estúdio sólido para projetos experimentais que acabam ganhando um certo sucesso, Dandadan que o diga. Fora que existe um certo movimento da mídia japonesa em fazer obras que se passam na região da Ásia Central, especificamente na Mongólia, e essas obras estão tendo um certo sucesso. Uma série que se passa lá e que recomendo é Vivant, que se passa num país fictício, mas as locações são lá. Os designs de personagens logo me capturaram por brincar com a semiótica de obras infantis, porém é engraçado que Jaadugar seja uma história de vingança, mas nos modos que “turistas” não gostam.

©Tenmaku no Jaadugar/Science SARU

Sinopse:

A época: século XIII. O lugar: Yeke Mongol Ulus, o maior império que o mundo já conheceu. A mulher: Fatima,* originária da Pérsia, onde técnicas médicas e conhecimento científico foram aperfeiçoados além de todo precedente. O desejo de Fatima* por um palco onde possa colocar seu conhecimento em prática trouxe-a ao palácio dos Mongóis, onde ela fica sob a proteção de Töregene, a sexta esposa de Ögedei, o segundo Grande Khan — uma mulher poderosa com sentimentos complicados sobre a direção do império. Estas duas mulheres são o eixo sobre o qual a política do palácio, e logo o próprio mundo, girará 

Vocês sabem que detesto esse termo, que só é um Gatekeeping para determinados otakus que acham que a mídia era melhor antes de ser popular, mas, se você vê anime há muito tempo, acaba percebendo que existem obras do seu gosto e obras que serão populares; esses pontos poderão interagir entre si, mas às vezes não, e isso não é um problema. Porém, eu falei que Jaadugar é uma obra de vingança que turista não gosta, por causa de Vinland Saga, essa obra sofre por uma primeira temporada violenta, sendo que a mensagem da obra, que foi deixada clara na segunda temporada, mas estava presente desde o primeiro episódio, da não violência. Porém, a obra se popularizou apenas pelo desejo do Thorfinn que cria um caminho do sangue, tanto que teve muita gente que não viu a segunda temporada. Aqui em Jaadugar, a Sitara é uma garota escrava que busca vingar a família que a acolheu. O problema é o alvo da sua vingança ser o maior império da época e não um dos lados da invasão.

©Tenmaku no Jaadugar/Science SARU

A obra é uma ficção histórica, o que permite uma criação ficcional, mas tendo os fatos históricos como referências para sua história. Então, saber um pouco dos elementos históricos ajuda a situar o conflito da obra, como foi a invasão mongol na Pérsia ou a “eleição” do Khan, fora saber que a Fatima* (É a Sitara usando o presente da sua antiga dona) possui conhecimentos que a farão sobreviver enquanto busca atingir seu objetivo, destruindo por dentro. Por isso que não teremos batalhas sangrentas, porque ela é uma mulher escrava no meio do século XII, então ela está viva.

©Tenmaku no Jaadugar/Science SARU

Mas algo que posso dizer que é um ótimo ponto de venda são as histórias dos povos da região, já que nunca descobrimos as histórias de lá, tirando o Império Mongol, ainda por cima só pouca coisa, ou quando algum dos países de lá consegue um sucesso esportivo, Uzbequistão é um exemplo; então saber das histórias, das curiosidades e até mesmo dos ritos, e aqui posso colocar alguns ritos islâmicos para aqueles que desconhecem a religião, faz que Jaadugar seja bastante rico, desde sua animação com selo Science Saru de qualidade até saber que o anime está sendo dirigido por um espanhol, o que quebra o argumento de muita gente puritano.

©Tenmaku no Jaadugar/Science SARU

Jaadugar será aquela obra que poderá ser lembrada por muita gente que gosta de anime, seja pela sua animação, seja pela sua história, seja pela cultura que ela mostra, porém será esquecida no mainstream por não ser o tradicional battle shounen famoso além-mar, porém ele tem aquele Sasuga que será comentado nas redes sociais durante a semana.

©Tenmaku no Jaadugar/Science SARU

 Ufa, demorei, mas consegui trazer meus pontos para as obras que não chegaram a ser ditos por aqui. E você, conhecia as obras? O que achou delas, ou até mesmo da minha “review”? Deixe nos comentários. Gostou? Compartilhe. Era isso e até mais.