Depois de meses de desconfiança, debates e aquela sensação constante de que algo “não encaixava”, o capítulo 232 de Chainsaw Man chega como uma confirmação quase cruel: a Parte 2 nunca chegou perto do impacto da Parte 1. E o mais curioso é que o próprio Tatsuki Fujimoto parece admitir isso… do jeito mais caótico possível. O final não é um clímax — é um reset emocional, um encerramento abrupto que soa menos como conclusão e mais como uma decisão autoral de “encerrar o experimento”.
Desde o início, já dava pra sentir. A narrativa fragmentada, o ritmo irregular, personagens que pareciam promissores mas nunca atingiam o mesmo peso… tudo apontava para uma obra que flertava com a genialidade, mas não sustentava a execução. E no meio disso tudo, uma exceção gritante: Asa Mitaka. A personagem foi, sem dúvida, o elemento mais consistente e interessante da Parte 2 — complexa, humana, cheia de conflitos internos. Era ali que Fujimoto ainda parecia totalmente inspirado. Mas fora isso? A sensação constante era de uma história que não encontrava seu próprio eixo.
E então vem a virada final. O sacrifício de Pochita, apagando o conceito de Chainsaw Man, é ao mesmo tempo brilhante e frustrante. Brilhante porque é ousado, simbólico e profundamente ligado à essência da obra. Frustrante porque, na prática, apaga tudo que a Parte 2 construiu. É como se Fujimoto dissesse: “isso aqui não era o ponto final”. O retorno de Power, a presença de Nayuta, o reencontro com uma versão mais leve do mundo… tudo isso tem um peso emocional forte, mas também carrega aquela sensação incômoda de que estamos voltando para onde realmente importava: a Parte 1.
O capítulo final troca batalhas épicas por um encerramento íntimo, quase melancólico. Denji finalmente tem a chance de viver uma vida normal — algo que sempre quis. E isso, por si só, é bonito. Mas ao mesmo tempo, fica impossível ignorar: os Quatro Cavaleiros, o Inferno, a Guerra, a Fome… tudo foi deixado de lado. Não como mistério, mas como abandono. E aí entra o ponto mais divisivo: isso é genialidade narrativa… ou simplesmente uma fuga de uma trama que saiu do controle?
No fim, Chainsaw Man Parte 2 termina como começou: estranha, imprevisível e desconfortável. Mas diferente da Parte 1, que transformava esse caos em impacto, aqui o sentimento é outro — um vazio que nem todo mundo vai conseguir defender. Fujimoto entregou um final coerente com sua proposta autoral, mas também confirmou aquilo que muitos já sentiam: a Parte 2 nunca teve a mesma força, e talvez nunca tenha sido feita para ter.
Ainda assim, fica o respeito. Porque mesmo quando falha, Chainsaw Man continua sendo uma obra que provoca, incomoda e gera debate — e talvez isso seja mais valioso do que qualquer final perfeito.
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a
opinião
deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.
deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.