
Ainda creem que estou delirando quando falo de guerra cultural, ou já estão percebendo ela de fato com tudo o que está ocorrendo recentemente? É evidente a perversidade da sociedade moderna ao atacar um jogo com uma construção há muito tempo executada — um laço paternal envolvendo um adulto e uma infante, mas é preocupante as falhas de leituras que verdadeiros abomináveis estão a fazer.
Aliás, é particularmente bem posicionado o nome da obra em si à discussão do momento, pois escancara a péssima fase cultural ocidental ante ao Oriente. A palavra pragmata vem do grego antigo (πράγματα) e é o plural de pragma (fato, coisa, ato).
Historicamente, o termo era usado para descrever “assuntos de Estado” ou “negócios”, onde ser preto no branco é fundamental para não se perder em teorias absurdas, aceitar os fatos e ficar com os pés no chão. No mundo do jogo em si, onde há robôs controlados por IA, mostra como lidar contra este tipo de inimigo com mentalidade eficaz e bem estabelecida, daí sendo pragmata, oriunda da vertente filosófica do pragmatismo, criada nos EUA ao final do século XIX.
O incômodo sucesso

O jogo usa mecanismos bem lúdicos, fazendo com que o jogador compreenda isto sem que sua intelectualidade seja ofendida. Que é proposto e executado pela Pragmata Diana, com seus quebra-cabeças que hackeiam e anulam a defesa do inimigo, facilitando o combate de Hugh, e outras interações. Eu queria muito falar do jogo em si, pois acompanho a produção dele há muito tempo, mas como o site é de animes, mangás e cultura japonesa, vou me conter nos termos técnicos e controlar o nerd que há em mim!
Porém, era o que deveria estar em voga nas discussões. Mas, como nossa sociedade está num período infértil, e bem literalmente, já que a taxa de natalidade não para de cair, e cada vez menos há boas mentes no entretenimento, temos que ir para outra parte — uma que me assusta por tamanha burrice, como diria Nelson Rodrigues: “os idiotas vão tomar conta do mundo; não pela capacidade, mas pela quantidade. Eles são muitos”.
Então, quer dizer que um jogo lançado pela Capcom é na verdade um “psyop” para que os japoneses tenham mais filhos e compreendam a paternidade? Faça-me o favor: acreditar nisso seria a mesma coisa que acreditar em Papai Noel! Eu já disse isso lá atrás em 2023 e torno em repetir: “não podemos permitir em nossas comunidades que esse proselitismo político-social se permeie ainda mais”.

Não somente o mecanismo de enredo é plenamente estabelecido — e estabelecido pelo Ocidente, como não há mínima racionalidade na reação de loucos na internet sobre o assunto, uma em específico que vale destacar neste texto:
“Homens sem filhos não têm instintos paternos da mesma forma que mulheres sem filhos têm instintos maternos (observamos isso até no modo como meninas pequenas brincam em comparação com meninos pequenos). Os homens experimentam instintos paternos pela primeira vez depois de terem seus próprios filhos – e tipicamente, esses instintos paternos só são sentidos pelos seus próprios filhos, e não pelos de mais ninguém.”
“Os homens não são cuidadores. Os homens não se derretem por crianças fofas em público. Os homens não têm febre por bebê. Se um homem quiser possuir uma criança por qualquer motivo que não seja ela ser um produto de sua própria linhagem, ele provavelmente é um predador.” Mary Morgan, a qual em seu perfil no Twitter tem como descrição: eu só penso em moda e morte.
A paternidade ocidental: de protagonista a antagonista

Esta foi a colocação que me denotou o quão degenerada está nossa civilização, onde há pessoas que creem de forma absoluta que “homens não são cuidadores” e que “instintos paternos só são sentidos pelos seus próprios filhos, e não pelos de mais ninguém.” Claramente uma guerrinha entre sexos fora do pragmatismo social.
Não somente isso, a colocação é o epicentro de toda essa palhaçada que virou a discussão de um mero jogo, o qual não é criador deste mecanismo! E vamos começar a destrinchar este lixo de colocação com o seguinte — e aqui quero mostrar que não há loucura de psyop, que de repente querem aumentar a taxa de natalidade do mundo por conta de um enredo, porém, ataque cultural a pleno vapor! Se eu for pegar obras com o mesmo mecanismo, os exemplos se acumulam:
Batman, com Bruce Wayne cuidando e educando Dick Grayson (Robin); Sully em Monstros S.A, junto de Mike Wazowski cuidando da Boo; Gru em Meu Malvado Favorito, onde ao ter Agnes, Margô e Edith como parte de um plano mirabolante, acaba se tornando pai delas de verdade — e teve um filho no último filme; The Walking Dead e a empatia de Lee por Clementine no mundo destruído pelo apocalipse zumbi; The Last of Us, onde Joel após perder sua filha de forma brutal, cuida da Ellie (pelo menos no primeiro jogo, antes de tudo ser destruído no segundo jogo).
Atrapalhando a narrativa

Detalhe: qualquer pessoa com cinco neurônios funcionando percebeu — SÃO TODOS DO OCIDENTE! Os últimos dois são jogos, assim como Pragmata (The Walking Dead sendo adaptação de HQ’s). E tem um em especial que não citei de propósito: Bioshock 1, 2, e Infinite. Onde, literalmente, você é pai no último, e uma figura paternal nos dois primeiros, onde você deve livrar as ‘irmãzinhas’ do ADAM, substância que acabara por corromper a sociedade de Rapture.
Curioso como estas obras tão conhecidas mundialmente e oriundas desta parte do planeta não tiveram comentários do tipo: “se você gostar de crianças, você é literalmente um pedo”. O primeiro ponto aqui é fundamental, pois Pragmata “atrapalha” a narrativa. Há quantos anos não vemos propaganda pesada desincentivando o matrimônio, e posteriormente, a maternidade/paternidade?
Aposto e ganho que você já ouviu coisas como “filho é gasto”, ou “casamento é prisão” em qualquer discussão meia boca por aí. Ora, há os que acreditam que “há filhos de mais no planeta”, com o Neomalthusianismo no final dos anos 60, pregando o mito de Thomas Malthus sobre a progressão geométrica da população e progressão aritmética dos alimentos, que acabaram por criar o mito da “superpopulação”.

Séries e filmes tratam crianças como fardos e deslegitimam as responsabilidades da vida adulta — uma eterna adolescência. Enquanto os japoneses entregam obras, não por loucuras tiradas do ânus de algum deslocado mental no Twitter, mas por meras estruturas já estabelecidas e de conhecido apelo popular. Resident Evil: Revelations 2, quando Barry Burton é acompanhado pela pequena Natália (antes da Amanda transferir sua mente para ela), ou mesmo em Naruto, com Jiraya sendo a figura paternal para o protagonista, repetindo o que havia feito com o pai dele, anteriormente.
E em Spy x Family, uma família de fachada com um espião e uma assassina como bases desta família, cuidando de uma filha que lê mentes. Com todos os problemas, instigam cuidados uns aos outros, em dinâmicas agradáveis de acompanhar! Em Revelations 2, fazendo o que Pragmata havia feito onze anos mais cedo, pela mesma Capcom.
Os exemplos são vastos, pois se pegarmos o contexto de uma “família”, ainda temos obras como Kobayashi-san, onde os dragões transformaram a vida de uma assalariada média no Japão. “Magicamente”, não contribuíram para o aumento da natalidade, pois nunca tiveram este objetivo. Mas incomodam, pois vão contra a narrativa do mundo ocidental.
Atiçando o monstro oculto

O segundo ponto define perfeitamente o primeiro, pois indo contra a narrativa ocidental dos verdadeiros donos do entretenimento, atiçaram os propagadores deste meio: a mídia e seus influenciadores. Como mostrado anteriormente, ter uma figura paternal como centro de um enredo é algo estabelecido há tempos! Mas, não é o que plenamente incomoda a esta corja que emerge das profundezas da Internet.
Como eu trouxe em meu texto ‘A Guerra Cultural aos Animes e Mangás – Parte 7 – A Perspectiva Sobre Animes‘, a indústria do entretenimento está crescendo significativamente; (US$ 39,7 bilhões), superando o valor de exportação das indústrias de semicondutores e aço. Pragmata alcançou feitos impressionantes: 1 milhão de cópias vendidas em 48 horas, e 1º lugar nos gráficos de vendas físicas do Reino Unido.
O sucesso estrondoso continua sendo um feito oriental, e isso incomoda. O jogo escancara e incapacidade ocidental de ser o que sempre foi, por redatores fracos, militâncias político-sociais que permearam nos grupos do entretenimento, e a incompetência técnica na execução de programações e estruturas gráficas.
A cortina de fumaça: o fim da mamata

E cada fecho de luz que alcança as profundezas deste Abismo Laurenciano incomoda violentamente o Kraken que por lá habita! O terceiro ponto vem especificamente a denotar isto, pois como já difundi em vários textos que fiz em quatro anos de Anime United, se não é possível se equivaler no mercado, o jeito é ir à forra — atacar a cultura originária do produto, no caso, a japonesa!
Eu já vi todo tipo de calúnia quanto ao design e estrutura de personagem, e aqui isso ficou evidentemente perigoso. Já que querer propor que qualquer tipo de afeto tido por Diana é ser pedo, é denotar a evidente crise moral que estamos passando. Pior, é ver que estão se espelhando nisso, o famoso “xingue-os do que você é, acuse-o do que você faz”.
Não há outra explicação para tantas reações descabidas (fora o uso de drogas), se não ver que há verdadeiros loucos por trás destes ataques, e potenciais pedos reais — vide a explicação do nome da Sweet Baby, que tratavam seus integrantes como “bebês”.

Quem não teve o prazer de segurar uma criança no colo, como eu tive com meus sobrinhos e filhos de amigos, realmente não compreende a naturalidade na paternidade/maternidade. Pois se assustam com as responsabilidades oriundas por conta disto, e em decorrência, criam análises toscas, como esta feita por Mary Morgan que mostrei anteriormente. E ao verem que isso é o material em voga por estas bandas, não suportam a ideia de que perderam este jogo.
Lerry Fink, o grande responsável pelo DEI; já que pela BlackRock ele difundiu a diretriz em todas as empresas que tinham investimentos pela firma de capital de risco, veio a público e disse: “Eu acredito que o pêndulo, cinco anos atrás, foi longe demais? Sim.” O que isso significa? Simples, a fonte secou para estes ufanistas petulantes, pois a água tá batendo com força lá embaixo!
Se vocês viram membros de Cowboy Bebop da Netflix se desesperando pelo anúncio do cancelamento da obra, é que vocês ainda não têm ideia do que ocorrerá daqui pra frente nas desenvolvedoras de jogos, publicadoras, editoras, e meios de mídia.
O incômodo do novo amanhã

Demissões, obras canceladas, financiamentos extintos, serão o novo normal em pouco tempo por aqui! Eu venho dizendo isso há três anos — preparem-se para o que está por vir! Investimentos japoneses, sul-coreanos e chineses, virão como um novo amanhecer — é inevitável! Para que a Forbes anuncie que animes e mangás estão vendendo mais do que semicondutores e aço, e que desejam aumentar estes ganhos, é que alguém por aqui terá de se adequar, e não preciso falar quem.
Chega desses absurdos sobre paternidade e crise de natalidade, isso é cortina de fumaça para se ocultar a verdade! E já dei a solução para isso: NÃO DEEM ESPAÇO PARA MALUCOS! Comecem a cortar as ervas daninhas antes que destruam este jardim, e destruam as pragas que estão corroendo as discussões. Quem vê ‘pedo’ em Pragmata, está se autocondenando e merece ser extirpado das comunidades.
Nunca foi sobre paternidade, apesar de que a correlação entre estas opiniões e a falta de paternidade na vida com estes malucos é notória. Se ter empatia se tornou problemático — ainda mais do tipo paternal, e se estes que se declaram defensores dos direitos humanos interpretaram tal ato como algo predador, aí está sua resposta para tamanha desproporcionalidade deste caso. O sucesso asiático é o verdadeiro problema, para um Ocidente que não aceitou que está sofrendo, e pelo visto, de forma que não há tratamento que o salve!

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