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O Paradoxo do Fã Ocidental

Josué Fraga Costa

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Há três detalhes fundamentais que venho notando nestes novos “fãs” de animes, mangás e jogos orientais que estão surgindo nos últimos anos. Primeiro; sempre quando “surgem” polêmicas em um novo lançamento, como em Stellar Blade: Blood Rain, quando certos detalhes não os agradam, taxam com termos criminosos ou depreciativos.

Segundo: caso a pecha de ignóbil não tenha funcionado, tentam apropriar-se dos personagens e convertê-los em suas próprias ilusões de como deveria ser retratado; tanto no visual, quanto na personalidade. E, finalmente em terceiro, por terem ido longe demais no delírio coletivo, entram em conflito direto com os fãs de fato, produção da obra, e consequentemente, seu criador.

E para situá-los corretamente, usarei um termo interessante que criaram para esse tipinho — o turista! Imagino que derivado de verdadeiras aberrações que tumultuaram o Japão anos atrás com as mais repulsivas histórias — como no caso de Logan Paul em 2017, quando em Aokigahara, aos pés do Monte Fuji, filmou um corpo de um homem que havia cometido suicídio.

A janela de Overton no entretenimento

Stellar Blade: Blood Rain
©Stellar Blade: Blood Rain

Já pude elencar nestes quatro anos de casa que o cenário ocidental do entretenimento simplesmente despencou de qualidade e quantidade. De criadores do cinema e televisão, e das obras nelas exibidas — animações, seriados e outros — tornaram-se consumidores número um do Oriente. Isso em todas as áreas!

Como consequência, seus fãs — agora órfãos de suas origens, migraram de The Walking Dead e Piratas do Caribe para Resident Evil e One Piece. Como destaquei em meu texto ‘A Avalanche Midiática‘ em 2023, 285 animes contra 111 animações ocidentais — a janela de Overton se abrindo diante de nossos olhos. Com isso, o foco do público foi impulsionado pela superioridade numérica.

Em decorrência dessa migração — vide o esforço de empresas como a Netflix, que investiram pesado em One Piece — suas nuances foram absorvidas por osmose cultural. Perceba: não foram os animes que de repente ficaram sem graça ou não tão chamativos, eles se tornaram o nosso habitual — já que ficamos carentes de animações domésticas que estão sendo mitigadas gradualmente por obras independentes.

One Piece
©One Piece

Então veio a Internet, dando voz a todo tipo de pessoas (como eu e nossa turma de foderosos) junto de verdadeiras pérolas. Porém, acompanhado inerentemente por pragas complicadas de lidar. Os padrões de enredo, personagens, composição, design em geral, por mais que tenham evoluído o conceito, nunca realmente foi abandonado em jogos e animações orientais.

Mas, é claro, os turistas decidiram carregar suas bagagens para cá, e estes padrões estão sendo “questionados”. Veja o que temos: Evie de Stellar Blade: Blood Rain, confirmada em ter um aspecto mais jovial do que a Eve do primeiro jogo, está sendo considerada como criança por eles — e ai de você, se gostar dela; o rótulo de pedo lhe aguarda!

Gostar de Pragmata e o laço paternal entre Hughes e Diana? Coisa de lunático! Mulheres com peitos enormes e corpos desejáveis, então? Pela santa periquita de barba roxa; como diria o saudoso Silvio Luís. Nós, o nicho, agora estamos sendo expulsos de nosso lugar, e tendo toda a percepção que nos acompanha desde que começamos a dar bola ao conteúdo asiático, décadas atrás, dizimada por eles!

Primeiro elo: “dessexualizar”

Bayonetta: Bloody Fate
©Bayonetta: Bloody Fate

Mostrei aqui em meu artigo Efeito Kamiya — um estudo‘, o exemplo inicial da interferência destes turistas; e isso em 2010, quando tentaram taxar Bayonetta como um ícone feminista — apesar do constrangimento da autora diante da sensualidade da mais bela personagem dos jogos japoneses de todos os tempos.

Começou ali, e hoje, você é um esquisito por gostar de qualquer personagem; sejam mulheres lindas, sejam homens sarados e poderosos. A contradição aqui começa em algo curioso: Johnny Bravo foi um grande ícone nos cartoons; até virem os justiceiros e limpinhos, para considerarem o personagem como um “macho tóxico” e outras bobagens.

Vimos a Srta. Belo, Kim Possible, as protagonistas de Três Espiãs Demais, e outras tantas mulheres belas e poderosas, que nos cativaram por todos os cantos, para que hoje, reclamem do aspecto jovial das personagens e inventando um paralelo com crimes muito pesados. Aliás, essa condição coincide e muito com a quantidade de obras ocidentais incríveis reduzindo de forma acentuada em pouco tempo!

Kim Possible
©Kim Possible

Sexualização e sensualização perderam seu sentido, assim como outras palavras por aí que viraram chavões. Não são ruins quando bem utilizadas! Porém, claro, é ruim quando os asiáticos as exploram — pois todo mundo ficou pianinho quando em The Last of Us, duas garotas de 14 anos se beijando na boca foi visto como algo ‘supimpa’.

A capacidade de atração sexual (sex appeal) é algo completamente relacionável a qualquer adulto — é um chamariz, e um poderoso. Não somente isso, ele delimita algo importante e tem seu espaço cativo para algo fundamental, que vem sendo ignorado por muitos autores ocidentais. E quando há quem veja um infante na bela Evie, algo me diz que este descaso está trazendo problemas reais.

Seria importante ver ponderações bem colocadas sobre o tópico, como a que nosso querido Welerson soltou aqui sobre Tenku Shinpan: “irá se deparar com enquadramentos suspeitos e até mesmo cenas de cunho sexual bastante apelativas.” Porém, sinalizar virtude virou o objetivo de certos grupos por aí.

Segundo elo: ação descabida, reação contrária

Akane-Banashi
©Akane-Banashi

O que sucede é tentar projetar no conteúdo oriental tudo o que destruiu o ambiente do entretenimento ocidental; enquanto o Japão prepara nosso terreno para sua expansão global. Como trouxe aqui em março de 2026, com uma série de investimentos planejados de US$ 129 bilhões até 2033, e com diretrizes fortes:

1. Apoio estratégico em grande escala e a longo prazo;
2. Apoiar esforços para espalhar conteúdo japonês pelo mundo;
3. Não interferir em produções criativas;
4. Fornecer apoio direto;
5. Priorizar aqueles dispostos a tomar riscos.

É guerra aberta de mercado, que os japoneses se anteciparam e com muito rigor. Criar ambientes propícios para que seu material seja desenvolvido por estas bandas e sem interferências, além de darem apoio de mercado — possivelmente jurídico, e pulverizar suas sementes férteis.

Yurayura Q
©Yurayura Q

Alguns poucos já compreenderam isso, mas muitos ainda querem dobrar a aposta e tomar a cultura oriental para si, enquanto que não percebem que já perderam este jogo. A história que trouxe sobre a criação de Bayonetta e seu design, rejeitado inicialmente pela SEGA, e defendido sem recuos, deveria mostrar que os artistas orientais não estão dispostos a abandonar sua arte, nem mesmo diante da poderosa pressão corporativa.

Se você acha que Hideki Kamiya implica com o lunático que tenta usurpar suas criações, é que você não conhece o mundo dos mangakás, desenhistas e ilustradores habituais. Eles se anteciparam e desejam transmitir estes valores por aqui de forma orgânica e estruturada, para que a arte japonesa se torne no novo normal.

Quando Kei Urana se retira do contato direto com os fãs, porque implicaram com ela por absolutamente nada, vocês acreditam que ficará por isso? Estamos entregando o terreno criativo ocidental numa bandeja de prata, mostrando que a imaturidade de certas pessoas e comunidades pagará caro por tamanho despreparo.

Terceiro elo: o abraço da serpente

Rosario Vampire
©Rosario Vampire

Se envolver com grupos político-sociais foi o tiro no pé que deixou incapacitado todo um ecossistema criativo. Grupos como a Sweet Baby, pautando redações e desenhistas no que deveriam criar, se tornaram o câncer sugando nossas defesas naturais, transformando todo o material resultante em isótopos radioativos.

O resultado foi claro: os frutos orientais são o novo desejável pelo grande público, que percebeu de imediato a mudança violenta que jogou no ostracismo várias franquias e propriedades intelectuais de grande sucesso e prestígio midiático. Ver a She-Hulk ser transformada em artigo de militância, mostrando que a mulher é forte sem esforços, e que está sempre certa apenas por ter útero, é a amostra perfeita do que digo.

Em parte, o grande sucesso que animações independentes, que pude trazer em matérias por aqui, se deve diretamente ao não se envolver com nada disso. Autores com liberdade para criar o que der na telha e da forma como melhor convir — este é o tratamento que enfrenta o câncer que já deu metástase em nosso segmento cultural.

As consequências das ações

Nige Jouzu no Wakagimi
©Nige Jouzu no Wakagimi

Eu não preciso explicar — mas o faço — que a serpente só abraça para uma única coisa: matar! E aos grupos e comunidades por aí, dou um alerta: vocês não podem e não devem se transformar em guetos isolados e repudiados. Quando discussões são reprimidas, e quando ideias são achincalhadas, tenham noção de que do outro lado do mundo, há um gigante dando faróis e pedindo passagem.

O interesse crescente que artistas digitais vêm adquirindo pelo conceito estético dos sul-coreanos e japoneses, tem uma explicação evidente. E digo isso com tranquilidade, pois acompanho desenhistas desde que era um pimpolho em 2005 — nossos traços sumiram em detrimento do que está sendo proposto pelos orientais.

Por conta de comentários esdrúxulos, falta de apoio e divulgação, vários se viram sem um futuro nos moldes de um Ocidente claramente doente e sem o devido tratamento. Cursos com a estética em uso por japoneses estão presentes mais do que nunca, e mangakás ocidentais estão nascendo e crescendo; com a Me2Arts, do sensei Maurício Ossamu, sendo um belo exemplo.

Shirobako
©Shirobako

Veja o caso do jogo Motorslice, do estúdio brasileiro Regular Studio. Tendo uma personagem com estética de anime, logo caiu nas graças do público ocidental. E claro, quando uma tomboy com motosserra incomodou pelo visual cativante, tal qual ocorreu com MiTa em MiSide, os turistas atacaram paus e pedras no projeto — ah, isso não deu certo!

E quem não está vendo essa mudança no estilo que está se transformando no novo padrão, acabará contribuindo passivamente para que o Ocidente se transforme numa entidade artística irrelevante; e isso ocorrerá mais brevemente do que você possa imaginar!

Aqui temos tanto pessoas que persistiram por anos em suas obras e foram frustrados por negações que se acumularam, quanto por pessoas que já estão nascendo num cenário artístico com grande influência oriental. Os que estão transigindo deixam para trás um ambiente improdutivo e justifica com isso algo que claramente não deu certo. Os que já tinham influência de animes e mangás, estão bebendo da água limpa na lagoa.

O paradoxo destrutivo

Motorslice
©Motorslice

Já trouxemos alguns mangás feitos por aqui e não somente com estética oriental, mas com uma sistemática e estrutura de lá: Fablend, Alice Animo, The Demon’s Blacksmith. E facilmente se encontra artistas digitais com essa estética já definida, e se refinando ao longo dos anos.

Gameoverso, de Ross O’Donovan foi rejeitado por vários grupos, segundo relatos do autor americano. E quando uma produtora no raio que o parta deu abrigo à obra, veja o rebuliço que isso causou. O que está ficando claro é que a extrema insatisfação destes turistas em não aceitar o mero conceito de liberdade criativa está empurrando vários artistas para o outro lado — quando digo janela de Overton, não é chavão!

E por que isto incomoda os turistas? É o símbolo da derrota de uma narrativa sem raízes, que na mais branda chuva, cai! Pessoas não podem ter algo de atrativo fisicamente, não podem ter traços psicológicos distintos; como a figura peculiarmente cativante de Trevor Phillips em GTA V — “isso pode ser tóxico” ou “péssimo exemplo.”

Alice Animo
©Alice Animo

No geral, este excesso de “zelo” com o conteúdo de livros, séries, animações, jogos, e até esportes — tirar a camisa numa comemoração que o diga — está forçando as estruturas numa fôrma inócua e repulsiva tanto para criadores de conteúdo, quanto aos fãs em potencial.

Não há desde o começo das animações, em específico, uma mudança tão drástica num período tão curto. O meme do cinema cheio de personagens da Cartoon Network do começo dos anos 2000, comparando a nova era pós 2007 (quase vazio) é o principal artigo visível dessa situação. Nossas obras foram esvaziadas e jogadas no mar do esquecimento, artistas foram descartados do mercado, e momentaneamente, ficamos no limbo.

Nisso, os animes que ficaram fora do domínio tradicional das grandes emissoras de televisão, conseguiram se livrar dos grilhões impostos, através dos streamings, já que foram praticamente banidos por leis contra a propaganda de brinquedos e similares; além de proibições contra “violência excessiva”, que por tabela (e visível burrice), também destruíram nossas obras. E agora, são o novo estandarte artístico a ser seguido!

O cenário pós-desastre

Cartoon Network
©Cartoon Network

John Lasseter, por exemplo, um dos fundadores da Pixar, no auge do MeToo em 2017, acabou por ter sua carreira destroçada por assassinatos de reputação por grupos militantes quanto a assédio sexual. E sem acusações formais, partiu para a Skydance Media, e a Pixar despencou de qualidade e criação de projetos atrativos.

Como ele, outros tantos artistas bem menos conhecidos foram prejudicados de alguma forma, reprimidos de maneira descomunal por um sistema corroído. Hoje, encontraram espaço num sistema que vem crescendo exponencialmente — daí grande parte do sucesso dos asiáticos por aqui! Então, vem o conflito, pois os turistas migraram pela falta de lugares para destruir, e toparam com estes os quais foram excluídos e deduzidos de suas áreas.

Estão vendo que o crescente interesse destes excluídos pela sistematização japonesa e sul-coreana pode ser o cataclismo necessário para a volta do que constituiu o cenário passado do entretenimento ocidental. Repito o caso de Gameoverso, quando mulheres atrativas atiçaram os turistas, já que a atratividade que exala delas se tornou um problema em obras por aqui, vide os designs andrógenos que obras como Steven Universe adotaram.

Gameoverso
©Gameoverso

Tudo que transforma obras do outro lado atrativas, como os romances dos K-Dramas que se popularizaram como nunca antes; os grandes modelos de homem como em Jojo, dentre outras tantas nuances, se meramente replicadas e adaptadas ao nosso molde, fará com que a avalanche caia sobre os que rejeitam o sucesso — levando consigo as narrativas falaciosas.

Aqui vem a melhor parte disto tudo; já que corromperam estruturas inteiras: empresas, financiamentos, envolvimentos escusos (DEI), e não sobrando nada que atraia atenção do grande público, foram aos cestos de frutos do Oriente. Por vezes, de maneira até que honesta e recíproca, ao gostar do que estavam produzindo. Porém, sempre cometendo as mesmas burradas.

Impor romances não canônicos (vejam o que tentam em forçar yuri entre Special Week e Silence Suzuka, que são irmãs na vida real, e outras personagens de Uma Musume), subverter a base de fãs com mentiras e discórdia; como em 2024 com o dublador americano do Okarun em DanDaDan, A.J. Beckles. Ao trocar a identidade do personagem japonês; brigou com a comunidade japonesa após a péssima recepção — “arregando” no processo e excluindo sua conta no X.

O novo núcleo cultural mundial

Dandadan
©Dandadan

Por tal corrupção, mesmo partindo de uma premissa honesta quanto ao interesse pelo conteúdo asiático, mostraram um pouco de quem realmente são por trás da máscara de “fãs” — daí o termo ‘turistas’ veio a calhar! E o pior, expostos nus ante os asiáticos. E, por consequência, como noticiei em março de 2026 no texto ‘A Guerra Cultural aos Animes e Mangás – Parte 7 – A Perspectiva Sobre Animes,’ os do outro lado do Pacífico se precaveram e estão respondendo à altura.

Com o investimento bilionário que planejam, ensinarão de sua arte de forma direta, financiarão iniciativas que estejam de acordo com suas demandas e alinhamentos, e tudo dando certo, serão o novo núcleo artístico cultural, negligenciado pelo Ocidente — que outrora era o grande comandante.

Veja bem: não é que teremos somente animes, mangás, manwhas e jogos orientais feitos por nossas mãos — não mesmo! A Toyota, Honda, Mazda, possuem uma ampla linha de modelos especificamente direcionados e produzidos pelos mais variados mercados ocidentais, com dividendos indo diretamente ao Japão! (Genial)

MiSide
©MiSide

Na mesma, isto se repetirá com o entretenimento — e já está ocorrendo (Motorslice, MiSide). MiSide em específico exibe perfeitamente o que digo: o jogo foi publicado oficialmente pela Shochiku, uma das publicadoras mais bem estabelecidas e antigas do Japão. Com isso, Kana Hanazawa (Mitsuri Kanroji – Kimetsu no Yaiba/Mayuri Shiina – Steins;Gate) se transformou na voz oficial da MiTa.

Mentiras sobre uma ‘apropriação indevida’ por parte dos asiáticos nasceram, e não conseguiram impactar no sucesso do jogo independente. Já trouxe em várias matérias, que nomes como o de Hideo Kojima, só comprovam que os ‘zomi’ estão de olho em nosso mercado.

Estão conhecendo nosso mercado, nossos agentes diretos e indiretos, e observando o público. Aquela situação: se não quer, tem quem queira! Já ouviram falar no termo ‘fuga de mentes’? Então, fiquem bastante atentos com o que ocorrerá em breve. O interesse no Oriente não será mais um sonho molhado, será uma opção real!

Os pastos verdejantes

Ruri Rocks
©Ruri Rocks

Tenham consigo que já estamos observando obras com boas premissas e alto potencial geral. Os que trouxe aqui são meros arbustos que se tornarão em florestas densas. O cenário de animações independentes está despertando o interesse em criar novas obras. As que já estão por aí, são frutos de pessoas que compreenderam que unir forças é necessário.

Desenhistas, escritores, pintores, programadores, modeladores, e outros, estão por aí se juntando numa tentativa de voltarem a criar demandas, gerando ofertas, e voltando a participar de um cenário competitivo. Já perdi a conta de quantos talentos vi em meu Instagram — muitos dos quais pretendo contatar em breve, que estão a um estalo de trazerem uma leva de conteúdos desejados.

Como Aloubell, que entrevistei há quatro anos por aqui, disse e bem: “Temos bibliotecas inteiras cheias de potencial inexplorado e não gostamos de utilizá-lo, o que é frustrante. Oh, não é tanto que a criatividade esteja reprimida, é que as pessoas, eu acho, estão se tornando complacentes e apenas fazendo o caminho mais fácil e não querendo pensar muito em coisas novas“.

Sensou Kyoushitsu
©Sensou Kyoushitsu

O problema da fragmentação que vários artistas acabaram por criar, tem solução! Os turistas só existem por omissão de nossa parte. Primeiro, claro, em comunidades relaxadas que simplesmente não perceberam o tamanho e importância cultural que possuem. Depois, por falta de fundamentos sólidos e funcionais.

Não dá mais para termos outras Anita Sarkeesian da vida por aí, e para isso, precisamos nos posicionar e meramente CRIAR! Quanta gente talentosa eu mesmo não trouxe para entrevistar nestes quatro anos de Anime United? Cláudio Galvan criou uma escola de dublagem, Gi Fortune assessora carreira de promessas e nomes conhecidos da dublagem.

A Shonen West, vista de perto pelo grande Boicchi (Dr. Stone), criando um ecossistema do zero para autores no Brasil. Ora, são os únicos? Claro que não! Este é o amadurecimento que falta nas comunidades geeks, que só arrumam briguinhas toscas que tiram o foco do que realmente importa. Acorde, ó vale de ossos secos! Grande é a jornada para retomarmos ao caminho da normalidade!