Preview: Seiren Repetir a 'fórmula' utilizada em outras produções do gênero é uma das marcas do anime

Yorran Barone
Seiren
©Studio Gokumi // AXsiZ

Seiren

Gêneros: School, Romance

Direção: Kobayashi Tokomi

Estúdios: Studio Gokumi, AXsiZ

Estreia: 06 de janeiro de 2017

Sinopse

Seiren aborda um cenário de estudantes do ensino médio e é protagonizada por Shoichi Kamita. O aluno precisa decidir os rumos que seguirá na carreira, mas demonstra insegurança e incertezas sobre seu futuro profissional. A obra apresenta o mesmo contexto de Amagami ss, sendo exibido por arcos de quatro episódios dedicados a três meninas da série: Tsuneki Hikari, Miyamae Toru e Kyouko Touno. Desenvolvimento de histórias românticas e a relação de convivência do trio com Shoichi (específico em cada arco) aparecem como principais tópicos da trama”

Historia 7/10

Seiren é um projeto original para animação em televisão criado por Takayama Kisai (trabalhou em novels da Enterbrain!) e o primeiro arco é focado em Tsuneki Hikari. Repetir a ‘fórmula’ utilizada em outras produções dos gêneros (School/Romance) é uma das marcas do anime, algo que deve gerar aceitação do público deste segmento. Apesar dos clichês, teremos novas histórias, personagens e momentos. Estes tópicos foram bem aplicados.

Entretanto, cabe ressaltar que a mera base no ‘concreto’ e em ‘processos que deram certo’ não devem limitar a elaboração do roteiro, visto que as passagens tornam-se principalmente previsíveis. Acredito que este aspecto da ‘surpresa constante’ faltou na estreia. Apesar da necessidade de ‘ampliar o universo’, avalio que os desenvolvedores conseguiram, ‘aos 45 minutos do segundo tempo’, empregar no telespectador a vontade em assistir o próximo episódio. Na cena que antecede o encerramento, o protagonista é surpreendido com a chegada de alguém (deixo para vocês assistirem). O acontecimento é em um cursinho de verão, cenário em que grande parte da trama pode se desenrolar.

Outro ponto negativo alcança a ausência de passagens cômicas. São poucos momentos. Por se tratar do princípio, é possível mudanças no decorrer do enredo.  Na maior parte do episódio, sentimos ‘pena’ e ‘empatia’ por Shoicho.

Seiren
©Studio Gokumi // AXsiZ

Personagens 7/10

Insegurança, timidez, falta de perspectiva, sentimento de inferioridade e afeição por Hikari são marcas emotivas do protagonista. Em Seiren, nos deparamos com um indivíduo completamente perdido em relação as suas escolhas profissionais. Isso se comprova logo no começo, durante diálogo com uma professora. Ele precisa determinar qual área seguirá na universidade e escreve no papel de consulta a ‘genial’ frase “besouro-rinoceronte”, sob um justificativa um tanto ‘abobada’. Mesmo assim, recebe a indicação da sensei para se tornar um mangaká, ainda que não tenha desenhado um único quadro.

A preferência nos estudos não é o seu forte e Shoicho acaba por receber o auxílio de seu inteligente amigo, Ikuo Nanasaki. Nestas ocasiões, há uma mudança de personalidade e percebemos o quanto se aplica para conseguir as notas exigidas. A determinação não o impede de afirmar que sua “vida escolar foi nublada e depressiva”. Não bastasse o lamento, ele é alvo constante de chacotas de colegas de classe, como durante encontros com Hikari, no anime. Ao lado de outras amigas, o chamam de pervertido e sugerem que se denomine “imoral-san”, caso opte pela carreira em mangás de ecchi.

Nesse sentido, confesso ter me revoltado com o protagonista. Não pelo fato de nutrir uma espécie de paixão pela colega (acompanhamos momentos de ciúmes e necessidade de aproximação), mas por desvalorizar as suas capacidades e qualidades (simpatia e respeito ao próximo), além de se rebaixar em algumas situação. Já a ‘dona do arco’ apresenta um perfil egocêntrico e aproveitador.

É o centro da sala, cobiçada por outros alunos e recebe adulação de outros professores. Ou seja, uma garota irritante, que gerará aceitação pelo público que aprecia a presença de indivíduos com essa personalidade. Novamente lembrando que essa é uma análise inicial, portanto a personagem pode externar outras características ainda não reveladas.

Aos secundários, destaque para Araki-senpai (estudante do terceiro ano, player dos fliperamas e popular com as garotas) e a irmã de Kinata, vencedora do concurso “Miss Mamãe Noel”, que contou com a participação de Tsuneki. Não há indicativos se o resultado será abordado ou determinante para os rumos da história.

Vale lembrar que Kyouko Touno aparece no episódio, demonstrando ser carismática e observadora. Basicamente, a fórmula descrita no tópico anterior também utilizada na construção das personagem. Portanto, nada de novo.

Seiren
©Studio Gokumi // AXsiZ

Arte 8/10

Confesso ter gostado da animação desenvolvida pela equipe de produção. Personagens principais bem desenhados, bem como seus detalhes; cores aplicadas de uma forma correta; método também presente no esquema de luz e sombreamento. Os planos abertos e as cenas de transição estão bonitas. Fiquei admirado com o papel do diretor Kobayashi Tokomi, conhecido por desempenhar a mesma função em Akame ga Kill; Hundred e Utawaremono.

Tive esse apreço, mas devemos lembrar que um ambiente escolar não gera a maior das dificuldades. Podemos comparar a outros animes com diversas passagens de batalhas, mudanças de cenários e caracteres com designs peculiares, por exemplo. Outro ponto negativo alcançam as personagens de fundo de cenário. Não me recordo de enxergar qualquer movimentação (inclusive em uma partida de basquete feminino), além de receberem poucos detalhes.

Seiren
©Studio Gokumi // AXsiZ

Trilha Sonora 9/10

Acredito que a trilha sonora também merece aplausos. Temos músicas com violino, flautas e teclados, que se encaixaram bem durante diálogos e imagens de transição. Além disso, ao assistir o primeiro episódio me senti imerso em momentos tranquilos e passagens cômicas de um game RPG. A proposta de Seiren não é excepcional ou inédito e os responsáveis souberam aplicar a missão que lhes foi concedida.

Seiren
©Studio Gokumi // AXsiZ

Conclusão

Seiren carrega o formato do “acerto pelo mais do mesmo”. Aos interessados, o indicativo é que não assistam com a expectativa do ‘novo’, mas pela certeza de encarar algo minimamente proveitoso. Acredito que o clichê seguirá até o término, contudo de maneira bem empregada.  Nota Final 7,75!

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