Review: Kiseijuu: Sei no Kakuritsu O que você faria caso acordasse e a sua mão estivesse lendo?

Vitor Nascimento
(Podcaster)
@ifusic
©Madhouse

Kiseijuu em uma citação – “Shinichi, eu pesquisei o conceito de demônios e acredito que, entre todas as espécies, os humanos são os mais próximos a eles. Eles matam e comem uma grande variedade de formas de vida. Minha espécie come apenas um ou dois tipos no máximo. Nós somos bastante simples em comparação.”

Kiseijuu – Ficha Técnica

Nome Alternativo: Parasyte -the maxim-
Gênero: Ação, Drama, Ficção Científica, Psicológico, Seinen
Estúdio: Madhouse
Baseado em: Mangá
Número de Episódios: 24
Estreia: 2014

SINOPSE

Izumi Shinichi é um jovem de 17 anos que mora com os pais em um pacato bairro de Tóquio. Certa noite, criaturas parasitas invadem a terra, tomando os cérebros dos humanos, entrando em seus corpos pelos ouvidos ou nariz e, assim, controlando totalmente suas ações e pensamentos. Eis que um desses parasitas tenta entrar no ouvido de Shinichi enquanto ele dorme, mas falha, pois o jovem estava usando fones de ouvido. Então ele resolve adentrar pelo braço direito e fica armazenado lá, logo Shinichi o chama de Migi, dessa forma ambos são obrigados a coexistirem e acabarem com toda a carnificina provocada pelas criaturas.

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POR QUE GOSTEI?

A forma como os parasitas invadem a terra é algo interessante e silenciosa. Eles são inteligentes, astutos, estabeleceram um propósito e por conta disso superam os demais humanos. Eles assumem os corpos das pessoas e as controlam, ao mesmo tempo que se alimentam delas. Isso faz com que o anime nos traga bastantes cenas sangrentas e com mutilações, porém, a forma como trataram essas cenas é algo totalmente diferente do que vemos em um anime do gênero gore, por exemplo, é como se fossem mais elaboradas.

Logo nos primeiros segundos, o anime exibe um parasita devorando uma pessoa e a decapitando (com direito a muito sangue e nenhuma censura). Em seguida, surge a abertura, aliás, a abertura é outro ponto extremamente forte no anime. A música que toca é a Let Me Hear da banda Fear and Loathing in Las Vegas, essa música traz em sua letra algo bem condizente com o anime, a dominação por uma raça superior e uma possível revolta.

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A animação por si só ficou muito boa, o protagonista é muito bem detalhado e nota-se uma boa preocupação com as cenas de ação, já que podemos ver que foram bem animadas. Claro, os erros estão lá, mas como são poucos e a história é bem trabalhada, logo, acabamos não reparando.

Além do mais, o show aborda algumas questões de cunho filosófico. Os parasitas vieram a terra para se alimentar e o alimento deles são os humanos, isso acaba perturbando o nosso protagonista que é totalmente contra. Por conta disso, o parasita que vive em seu braço sempre o questiona sobre o por que dele não aceitar, afinal, nós humanos dominamos os outros animais e simplesmente utilizamos eles como recursos, logo, por que outra raça não pode fazer o mesmo com os humanos? Isso, pois somos conscientes e podemos pensar? Ou simplesmente porque somos egoístas? Tudo isso é “debatido” no anime entre o parasita e o protagonista.

O QUE NÃO GOSTEI?

No geral, é frustrante, pelo menos, ver os aspectos mais interessantes do anime cada vez mais divergir para cenas de luta, pois Kiseijuu é melhor quando tenta silenciosamente gerar sentimentos de desconforto através das transformações perturbadoras, e do incongruente senso de humor seco de Migi.

O relacionamento amoroso de Shinichi com a Satomi Murano (seu par romântico) fica pouco definido durante boa parte do anime, e a personalidade dele no primeiro arco é totalmente difícil de encarar. Já no segundo, é muito apática, embora tenha melhorado consideravelmente.

Também algumas cenas são pouco explicadas, deixando o espectador um pouco perdido sobre o episódio em questão. E mesmo com toda enrolação no romance, é introduzida uma segunda personagem para tentar um “triângulo amoroso” que também é pouco desenvolvido e gera apenas mais mal-entendidos.

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MELHORES MOMENTOS

Atenção leitor! Este trecho contém spoilers do enredo da obra. Caso não queira ser afetado, pule para o tópico “Conclusão”.
Em certo episódio, a escola de Shinichi é atacada por um parasita que pretende o matar. Logo, toda a escola entra em pânico pensando ser algum maníaco ou algo do tipo. Nisso, alguns alunos conseguem sair da escola, outros são mortos e a “namorada” do Shinichi ainda continua na escola sob o risco de qualquer momento ser morta. É então que o mesmo literalmente pula de uma janela do terceiro andar enquanto segura Murano para salvá-la. Após isso, ele volta e trava uma batalha contra o outro parasita.

Morte é o que não falta no anime, e nem o protagonista escapou. Em determinado momento, após tentar lutar na sua própria casa, ele é ferido bem no coração. E então Migi decide salvá-lo nos últimos momentos e usa seu próprio corpo para recuperar o hospedeiro. Porém, isso muda Shinichi, a partir daí vemos uma nova personalidade, mais fria e pouco humanizada.

Além do mais, sua mãe foi morta por um parasita enquanto saia de viajem, isso aumentou significativamente o desejo de Shinichi de ver os parasitas exterminados. Após a sua amiga também morrer de uma forma cruel, esse desejo dele apenas continuou crescendo.

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CONCLUSÃO

Esse é um excelente anime, tanto para quem curte animes gores como para quem não curte. Afinal, mesmo o anime envolvendo carnificina, todas as cenas são muito bem trabalhadas, entretanto, sempre é bom preparar o estômago.

Sobretudo, o anime se destaca bastante por seus momentos de reflexões, que realmente fazem o público pensar. Esse tipo de anime costuma chamar a atenção de espectadores mais seletos. Pessoas que gostam de uma boa história e que mesmo com elementos fictícios acaba trazendo um pouco da realidade irão gostar. Pois o anime sabe unificar muito bem esses pontos.

Caso você tenha gostado de Code Geass ou de Death Note tente assistir esse também. São animes muitos parecidos quanto ao enredo.

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