
Tudo começou com uma discussão no grupo de apoiadores da United, sobre o tópico de “turista de anime”. Para aqueles que desconhecem esse termo, ainda bem: ele é usado para se referir a fãs de anime que começaram a consumir essa mídia pós-pandemia. Para eles, muita coisa na mídia é errada. Porém, para mim, esse termo é usado justamente por “turistas de anime”, pois muitas das discussões apresentadas por eles como “coisas de turistas” foram tratadas muito tempo antes desse termo ser cunhado. Todavia, me veio um lapso de curiosidade para pôr meus conhecimentos, bastante básicos por sinal, na área de dados à prova, pois seria interessante saber o gosto do público com animes de antes da pandemia. Então busquei alguns bancos de dados de agregadores de notas — mas uma explicação para leigos: são sites que reúnem notas dos usuários sobre obras audiovisuais, populares ou não, e no nosso caso, de animes e mangás — para fazer um tira-teima sobre se tal obra é boa ou não.

Existem três sites famosos de agregação de notas para animes: MyAnimeList, que é o mais famoso entre eles, com mais de um milhão de usuários, porém é bem complicado capturar dados de lá, tanto que só achei dados de duas temporadas atrás; tem o AniDB, que é mais antigo, porém não há tantos usuários ativos para uma coleta mais rápida; então escolhi o AniList, que é algo bem próximo ao AniDB no sentido de ser bastante aberto, porém possui a interconectividade e popularidade do MAL (MyAnimeList), pois o site suporta a importação de contas de usuários do primeiro site. Digo isso com conhecimento próprio. Fora que o banco de dados que achei nele está mais atualizado em relação ao do MAL, apesar de também possuir esse atraso de duas temporadas. Então, com o banco de dados baixado, finalmente coloquei a mão na massa.

Vamos falar logo das questões mais óbvias, pois a série de TV que está em mais conta é Shingeki no Kyojin (Attack on Titan), com quase 1 milhão de usuários, seguida por Kimetsu no Yaiba (Demon Slayer), que tem quase 900 mil, e, por fim, Death Note, com quase 850 mil. Porém, as séries que pouca gente acompanha são chinesas; ironicamente, a que menos contas adicionaram foi Shui Man Jin Shan, que é baseada em um conto com o mesmo nome.

Sobre os estúdios, esse foi o principal desafio quando tratei os dados, pois foi difícil “capturar” os nomes dos estúdios, principalmente porque eles estavam encapsulados de uma maneira diferente do convencional. Então tive de testar várias maneiras, pois esse texto era para sair no final do ano passado, porém, por causa da captura dos nomes dos estúdios, demorei quase um mês para escrever este artigo. Falando deles e ignorando justamente as obras que não possuem estúdios definidos — o que é engraçado, pois até continuações sofrem com a falta do nome do estúdio no banco de dados —, dos 80% dos animes com estúdio, 21% deles foram feitos pela Toei Animation, o que é esperado de um estúdio que lança obras desde 1947. Porém, o título de estúdio com obra mais bem avaliada fica com a T.P.O., ou Tahara Produce Office, um estúdio de suporte que animou 11 episódios de Legend of the Galactic Heroes, o antigão de 1988; por isso, consegue uma nota 88. Mas, desconsiderando esse outlier, pois esse estúdio não existe há mais de vinte anos, podemos colocar o Studio Bind com uma média de 79, muito por causa de Mushoku Tensei.

Falando de nota, eu gosto do sistema de pontuação do AniList, que permite vários formatos de notas; porém, existe uma unificação para classificação. Como falei antes, esse banco de dados está com duas temporadas de defasagem. Todavia, a obra com mais avaliações positivas é Sousou no Frieren, com um tremendo 91. Porém, uma coisa curiosa é que a obra com mais avaliações negativas — pois o conceito de ter muita gente não gostando de uma obra a ponto de dividir uma nota tão negativa como a nota 21 de Ex-Arm é interessante — faz pensar que quase vinte e cinco mil pessoas acharam que essa obra merece no máximo um 2/10. Pelo menos grande parte das pessoas. É comovente, entretanto, há algo entendível nisso.

O anime de Ex-Arm é de 2021, ano em que a pandemia explodiu. Tivemos quase mil títulos lançados nessa data, porém quase metade desses títulos não saiu em uma temporada regular, aquela que é dividida por estações do ano. Isso aconteceu por causa do boom dos animes chineses, que não seguem a lógica de temporadas do Japão. A média de notas das obras desse ano é 47, dez pontos percentuais a mais que no ano de 1941, que teve apenas cinco animes. Claro que isso não significa muita coisa, pois o ano com a melhor média é 2008, porém só saíram 415 obras lançadas; entretanto, a nota média é 53. Dá para entender que a quantidade de obras boas se manteve durante os anos, pois não é possível tirar a informação de quantas obras boas saíram por ano, por ser algo subjetivo. Mas é entendível que, quanto menos obras saem, a nota média aumenta, já que as notas se diluem pela quantidade de animes lançados. Inclusive, o anime mais popular do ano, Toradora, tem nota média de 77.

Uma coisa interessante é ter conhecimento do que faz um anime ser popular, mas é estranho saber que precisa de um personagem masculino, um feminino, se passar numa escola, ainda por cima ser uma história de comédia: buscar sinopses num agregador de notas sempre é difícil, por isso que as obras são divididas em gênero, isso é uma herança das classificações de videolocadoras onde tudo dividia filmes para simplificar sinopses categorizando elementos da história em marcadores, mas também em tags, algo mais moderno para facilitar os mecanismos de busca, porém, simplificar coisas, como por exemplo o gênero de personagens são as tags mais populares por serem encontradas várias vezes, porém saber que o principal elemento encontrado ser “escola” diz bastante sobre o contexto do público japonês, que considera o período escolar como a última deixa de liberdade antes da vida adulta. Também é considerado um elenco de personagens majoritariamente femininas.

Já para gênero, as três categorias populares serem comédia, ação e fantasia lembram animes Isekais, apesar que o mesmo termo está destacado, pois geralmente esses gêneros estão presentes em obras desse tipo. Porém, isso não quer dizer que estão associados automaticamente entre si, apesar de que um anime que tem quase todos esses gêneros não é isekai, como Gintama.

Chegamos ao elemento mais popular para os leitores dos sites: os animes adultos. Ainda é estranho saber que Kaifuku seja o anime mais popular desse gênero, porque só acerta um tipo de público em específico. Olha que estou falando de obras adultas. Algo que era esperado é a raridade de lançamentos, sendo o máximo de 60 hentais em um ano, sendo que a era de ouro desse tipo de obra — que é inversamente proporcional à época do boom da internet pelo mundo, mais especificamente no quadriênio de 2002 a 2005 — teve quase 200 animes adultos lançados nesse período. Porém, desde esse pico, não retornou aos números anteriores. Geralmente, esse tipo de obra sai no verão, o que é esperado, e a nota média é 47, também condizente com esse gênero.

Com isso, encerro minhas atualizações com descobertas interessantes, como a “média baixa” ser algo recorrente e tudo mais. Porém, se quiser saber algo mais sobre esses dados, veja abaixo. Tirando isso, espero bons comentários de vocês, inclusive críticas construtivas para a visualização. Se não entenderam os dados, comentem aqui também. Tirando isso, é só isso. Até mais.

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