
No dia 04 de fevereiro de 2026, o Brasil sofreu uma perca impactante do entretenimento, uma das vozes mais marcantes e memoráveis de todos os tempos, Ricardo Schnetzer. Ricardo Luiz Guimarães Schnetzer nascido na cidade do Rio de Janeiro no dia 13 de abril de 1953, é certamente uma das vozes mais profundas e lembradas pelo grande público brasileiro, após interpretar atores como: Richard Gere, Nicolas Cage, Al Pacino, Tom Cruise, Kurt Russell, Ray Liotta, e a tantos outros personagens e gêneros cinematográficos.
Começo de carreira
Antes de entrar no ramo da atuação, Ricardo, aos 12 anos, ganhou de seu pai um gravador de voz, o qual se divertia ao recriar locuções dos rádios e de seriados de sua época, tal qual Nacional Kid e Vigilante Rodoviário. O que mostrava grande apreço e aptidão pela arte, o que o encaminhou nos anos 70 ao Conservatório Nacional de Teatro, no Rio de Janeiro.
Ao estar no meio artístico, o setor de dublagem havia tido uma grande necessidade por atores neste setor, que aos tantos, estava expandindo rapidamente no Brasil. Junto de outro nome lendário, Márcio Seixas, fez estágios no ramo, porém, tendo sido rejeitado pelos estúdios. Até que Ângela Bonatti e Marlene Costa, duas das grandes personalidades no ramo, convidaram e selecionaram a Ricardo para seus primeiros papéis, após ter sido rejeitado de várias seletivas — o que quase o levou a desistir da profissão!
Vozes consolidadas

Ricardo começou na Herbert Richers em 1973 com papéis diversos, e conseguiu em seus primeiros anos no ramo a ser a voz de Al Pacino em O Poderoso Chefão – O Épico (1977), o que o tornou em sua voz oficial no Brasil, desde então. Atuou em Scarface (1983), O Poderoso Chefão – Parte III (1990), Treze Homens e um Novo Segredo (2007).
Como Richard Gere, ficou famoso em: Gigolô Americano (1980) e Uma Linda Mulher (1990). Foi a primeira voz de um jovem Tom Cruise em Toque de Recolher (1981), e ficou marcado na bela atuação de Questão de Honra (1992) e Missão: Impossível II (2000). Como Nicolas Cage, também tendo sido a primeira voz do ator americano, quando em 1984 o dublou em O Selvagem da Motocicleta.
Nas novelas mexicanas, que lhe renderem grandes trabalhos, sendo o “boneco” de Fernando Calunga, nas produções da Televisa em; Maria do Bairro (Luis Fernando) e A Usurpadora (Carlos Daniel). Também fez a voz de Eduardo Yáñez – em novelas como Destilando Amor, e Sebastián Rulli – em títulos como Rubí e Teresa.
Animações de destaque

Sua voz esteve em grandes animações ocidentais, como em 2008 – Apenas um Show, sendo a voz do Benson, o rabugento. O Macaco em Kung Fu Panda, tanto nos filmes, quanto na série. Foi o Slade em Jovens Titãs, o lêmure Maurice em Madagascar 2 e 3. Porém, ficou famoso ao ser a voz de Hank no clássico Caverna do Dragão, e Capitão Planeta, ao ser a voz do protagonista que dá nome à obra.
Já nos animes, e por conta de seu apreço em Nacional Kid, um dos primeiros (se não o primeiro) Tokusatsu a ser exibido no Brasil durante os anos 60, foi um dos primeiros dubladores de animações japonesas. Em 1972, em um de seus estágios, dublou As Aventuras de Pinóquio, e entre 1976-1979, atuou em Candy Candy.
Dublou obras famosas, como Yu Yu Hakusho (1992-1995), sendo o Kazemaru, Cowboy Bebop (1998-1999) como Doohan e vozes adicionais, As Meninas Superpoderosas: Geração Z (2006-2007), como Prof. Pithium, Fairy Tail sendo o locutor da série, e mais recentemente, Bleach: Thousand-Year Blood War, o capitão Ukitake, e a uma longa lista de papéis principais e secundários.
Morte e legado

O dublador foi diagnosticado com Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) no começo de janeiro de 2026, o que impulsionou a área da dublagem e fãs numa campanha de arrecadação de fundos para seu tratamento, porém, não resistiu ao impacto súbito da doença, falecendo aos 72 anos na cidade a qual o consagrou na dublagem, e nasceu — o Rio de Janeiro.
Ricardo foi de um rejeitado na área, a uma das maiores vozes que o Brasil já teve a honra de ouvir. Foi diretor de dublagem do clássico Advogado do Diabo (1997), o primeiro filme dos X-Men. Era conhecido pelo ávido amor a atuação, e carregou o sonho de seu avô materno, que desejava ser ator em sua juventude, o qual foi alicerce no apoio de sua carreira. Suas atuações são lembradas pela absurda versatilidade e amplitude vocal, que conseguiu acompanhar a mudança vocal de Al Pacino.
Era alguém amigável, acessível, e que apostava no talento jovem e inexperiente, tal qual o fez com seu sobrinho e ator Victor Vaz. Ricardo foi um dos primeiros dubladores especializados, após uma geração de ouro ter nascida no teatro e radionovelas, como Isaac Bardavid e Orlando Drummond. O qual, pela oportunidade, atuou num plano geral de obras que alcançaram a todos os públicos, desde séries e filmes, a animes japoneses e obras autorais nacionais.
Da dublagem, para a eternidade!
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