O que não se pode ocultar Uma luz sobre o atual momento cultural!

Josué Fraga Costa
(Redator)

Anime United
©Anime United

Trecho do livro “O Oculto Vindo à Luz” – Epílogo: O que não se pode ocultar

De coadjuvantes a protagonistas absolutos no cenário cultural global, os japoneses criaram um verdadeiro ecossistema poderoso em difundir sua cultura em nível global. E não é algo novo, tampouco passageiro. Quando você, assim como eu fiz, começa a pesquisar mais a fundo o verdadeiro escopo das obras japonesas, não é de se surpreender que se tornaram a nova referência mundial em entretenimento.

As músicas dos animes sempre impulsionaram as carreiras de cantores, bandas, e grupos musicais dos mais diversos. A variedade de gêneros amplia o escopo do consumidor deste produto, que por mera projeção matemática, pode alcançar a qualquer um.

É provável que há algo com que você possa se relacionar em termos de enredo, personagens, tramas, e etc. Food Wars, por exemplo, já me trouxe três exemplos de pessoas diferentes que passaram coisas parecidas com a obra, e até mesmo, outros exemplos de pessoas que se interessaram por gastronomia por conta da obra. Como estes, várias são as mostras da capacidade de se influenciar positivamente a respeito de uma área, e até mesmo, de mostrar o que não se é tão conhecido.

Food Wars
©Food Wars

O ponto é: o Japão tem exibido de si em sua cultura há muito tempo, enquanto que nossos exemplos daquilo que somos, praticamente deixaram as prateleiras para nunca mais voltar. Eles têm Ruri Rocks falando a respeito de mineralogia, com muita classe e beleza. Futari Solo Camp com acampamentos e afins — e aquela pitada leve de romance. Odd Taxi, mostrando com bom humor adulto a vida de um taxista japonês. Aggretsuko, e seu paralelo com o trabalho infernal, e o desconto da raiva acumulada por uma panda vermelha, fofa e punk ao mesmo tempo.

Já tivemos isto e em larga escala, mas já faz tanto tempo, que se tornou memórias vagas para muitos. E não somente em mostrar traços de nossa sociedade, bem como ser criativamente vivo. Pink, Felícia e o Cérebro foi uma animação derivativa direta de Pink e o Cérebro que surgiu de uma controvérsia na produção.

Foi a contragosto da produção liderada pelo icônico Steven Spielberg; e você sabe disso quando durante a abertura da saga revelou: “O Pink e o Cérebro vão ter que aceitar, é o que a emissora quer botar no ar¹”, enquanto os ratos mais loucos da Warner eram chutados pra fora do escritório da empresa. Provavelmente alguém perdeu o emprego, mas não a piada! ¹Abertura de Pink, Felícia e o Cérebro, 1998.

Ruri Rocks
©Ruri Rocks

Na mesma Warner, várias foram as obras que soltavam alguma piada interna, e isso desde as produções sobre gerência de Leon Schlesinger². Coisas que davam toques cavalares de humanidade para as obras e eram atrativos a qualquer um. Você poderia apreciar uma animação como O Caminho para El Dorado com suas crianças, e apreciar a sensualidade da Chel, piadinhas e falas sem se sentir tapeado intelectualmente. Virou crime ser belo, criativo, engraçado. E para piorar, nosso cenário artístico nunca foi tão poluído politicamente quanto está sendo há algum tempo. ²Merrie Melodies — Hollywood Steps Out (1941).

De repente, todos os atores, diretores, escritores e produção, começaram a se posicionar politicamente de alguma forma; e certas produções começaram a ser guiadas por pautas sociais, como a Disney se manifestando em plena conferência do Fórum Econômico Mundial, propondo colocar personagens homossexuais em 50% de suas obras dali para frente. Eis que o DEI caiu, e com ele, as máscaras da falsa moralidade ocidental. Sem raízes, sem símbolos de referência, obras que fracassaram miseravelmente, levando consigo a credibilidade de outrora.

Quando vejo que numa feira automotiva há mais facelifts (atualizações estéticas) do que lançamentos novos e transformadores, há de se ponderar que problemas sérios estejam ocorrendo, pois sem inovação não há progresso! A mesma coisa se aplica para o audiovisual ocidental mais recente: Reimaginar, Refazer, Repensar.

O Caminho para El Dorado
©O Caminho para El Dorado

Quando soube que um dos grandes clássicos da era de ouro do cinema ganharia uma nova versão, no caso de Ben-Hur, eu não senti nada além de medo diante de um dos grandes legados cinematográficos da história. Dito e feito, foi um fracasso retumbante! Virou moda pegar filmes, séries, animações, jogos e até músicas antigas, e transformá-las em algo “moderno”, para uma audiência moderna.

Eu não fui o único quem percebeu tamanha vergonha com a arte, quando os remakes fracassaram em todos os pontos. Não nos atraíram às salas de cinemas, nem mesmo a assinar o streaming. E quando feito para um público “moderno”, todas as constituições originais foram prostituídas — um assassinato artístico pleno.

No caso dos jogos eletrônicos, após o caso de Cyberpunk: 2077, uma obra muito aguardada mundialmente, tendo a estrela do gênero de ações, Keanu Reeves, ter mostrado algo de errado com a indústria do entretenimento — no caso do jogo, em ter adiantado seu processo de produção e ser lançado praticamente impraticável, comecei a perceber algo perigoso; tantas mídias sendo lançadas de forma desleixada, e outras morrendo não muito depois de sua estreia, como no caso do jogo Forza Motorsport (2023-2025), algo estava soando em mim como sabotagem, não meramente algo ruim.

Cyberpunk
©Cyberpunk

Novembro de 2025 foi o pior mês na HISTÓRIA DOS GAMES, em termos de vendas de consoles, jogos e afins, exibida em matéria no site Circana³. Não pode ser mera coincidência a quantidade de fracassos em todas as mídias audiovisuais, pois nem a pandemia que parou o mundo em 2020 foi capaz de interromper o sucesso histórico do cinema japonês, Kimetsu no Yaiba (Demon Slayer). Warner sendo adquirida pela Paramount, crise no mercado de redatores de Hollywood, com greves e situações anômalas, como o assassinato de uma diretora, envolvendo o renomado ator, Alec Baldwin. ³Circana: The US Gaming Market in November 2025.

Ao mesmo tempo, que o player (Japão) que permaneceu intacto de tudo isto citado, começou a receber ataques como nunca antes. Não há como pensar que tudo seja um alinhamento planetário com o cometa Hornet. Preço dos streamings e jogos aumentando, ideias como não possuir mídias por conta própria sendo abalizadas por nomes graúdos da indústria do entretenimento, artistas atacando sua base de fãs em discussões ridículas na Internet — tudo num enorme balaio problemático, enquanto o sol brilha do outro lado do planeta.

Sim, afirmo que isto é uma guerra cultural plena, com um alvo em específico: a cultura oriental e seus frutos. Eu entendo o ódio e ataques gratuitos por um lado, já que rios de dinheiro estão indo embora e sem retorno, apesar de todas as pautas consideradas como boas, não estarem resultando, enquanto que do outro lado do mundo, nada foi feito e não deixaram de prosperar — aliás, até sendo o fator indireto no sucesso de algumas boas coisas no Ocidente.

Kimetsu no Yaiba Castelo Infinito
©Kimetsu no Yaiba — Castelo Infinito

Quando jogos independentes, como MiSide — feito a base de vodca por dois russos, supera os números de títulos dos grandes estúdios em jogadores simultâneos, com grafismo de animes e mangás e a dubladora oficial do jogo sendo uma japonesa, realmente, o desespero te cega!

O YouTube virou a vitrine de artistas independentes que se cansaram da atual indústria, e estão esculachando sem piedade o status quo deles. O Incrível Circo Digital alcançando centenas de milhões de pessoas, com várias dublagens oficiais e disponível gratuitamente, talvez tenha sido a mostra que mudanças estão vindo, queiram eles, ou não! É fácil corrigir a isto, só que, estão dispostos a tal?

Teriam a hombridade em reconhecer as mazelas criadas por eles no berço global do audiovisual? Admitiriam que as militâncias toscas e o envolvimento com o mundo político e suas elites prejudicaram uma indústria centenária? Não é aprender com os acertos do outro, pois os japoneses meramente beberam da fonte, fonte esta sendo o Ocidente.

MiSide
©MiSide

Repito, as animações, filmes, séries, documentários, jogos eletrônicos, SÃO NOSSOS! NÓS CRIAMOS A TUDO ISTO, e hoje, nos sentenciamos a morte — que neste mercado, é a irrelevância. A guerra não parará, porém, agora, vocês sabem muito bem de onde ela realmente pertence!

Voltemos a beleza, honestidade, liberdade criativa, de onde nunca poderíamos ter saído. Não será fácil, pois os grandes nomes que tocaram a indústria durante décadas, já morreram. Não há mais como se criar curtas dos Merrie Melodies como antigamente, pois, pessoas como Chuck Jones, que até fazia os curtas de forma isolada, não deixaram sucessores plenos. Logo, há tão somente uma solução: CRIAR!

É agora ou nunca! Sejamos livres, plurais, acessíveis, ou pague para ver o que ocorrerá com uma raiz podre!

Breve no KDP, Amazon, e numa livraria perto de você!


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