Como um vampiro consegue ser mais otaku que nós? Quando misturamos um vampiro otaku, um lobisomem esquentadinho, uma humana desajeitada e uma viajante espacial, nada convencional pode surgir disso.

Bolinhodearroz
Blood Lad
© Brain’s Base / Blood Lad

“Você sabe o que é um vampiro? Isso mesmo. É aquele monstro que geralmente usa uma capa com golas para cima, e vaga sem rumo pela noite enquanto suga sangue humano. E esse aqui sou eu, um descendente desses vampiros…”

Já vimos diversos tipos de vampiros da ficção, desde os mais sombrios (Alucard – Hellsing) até os mais, digamos, “inofensivos” (Edward – Crepúsculo), no entanto venho apresentar-lhes uma nova espécie: o vampiro OTAKU. Isso mesmo, o que trago a seguir é uma análise/dica do anime Blood Lad, um Shounen que foge do que pensamos ser “convencional”.

Partindo do princípio, somos logo apresentados ao Staz, um vampiro aficionado por qualquer coisa feita por humanos, principalmente os japoneses. Residente do chamado “Makai” (mundo dos demônios), esse descendente de vampiros possui uma vasta coleção de tudo que mais sonhamos: mangás, figures, jogos, etc., além do fato de desprezar a alimentação baseada em sangue humano. Contudo, ele passa a se meter em diversas confusões após ver sua vida dar uma reviravolta com o surgimento de uma humana em seu mundo.

Blood Lad
©Brain’s Base / Blood Lad

“Antes de ser isso que você conhece como vampiro. Esse sou ‘eu’”.00

Para começo de conversa, não vá pensando que é a melhor comédia ou o melhor anime do mundo, pois ele não tem nenhuma pretensão de ser levado à sério desde o início. As sacadas humorísticas às vezes são meio aleatórias e o ecchi é uma presença frequente, porém não se tornam empecilhos que desviem nossa atenção do plot principal, que é reviver a humana e derrotar o inimigo, muito menos de aproveitar a completude dos relacionamentos e progressos dos personagens que surgem à medida que o anime avança (infelizmente muitos apenas no final do anime).

Na verdade, o enredo flui muito bem de acordo com os eventos que seguem na jornada de Staz-san em busca de ressuscitar Fuyumi, isso pois é aquele típico desenvolvimento que parte de um ponto de partida específico para uma descoberta muito maior.

Em resumo, Staz-san, chefe de uma parte do território do mundo dos demônios, vê sua vida completamente mudada quando uma garota humana aparece no mundo dos demônios por acidente. Entretanto, por um descuido, a menina morre e vira um fantasma, assim Staz se vê desolado por perder sua oportunidade de conhecer mais sobre o Ningenkai, o mundo dos humanos, que ele tanto sonha e deseja, até que eles vão em busca de ressuscitá-la e encontram a responsável por abrir um portal entre os dois mundos, Hydra Bell, que influencia a vida deles muito mais do que imaginamos.

Dessa forma, esse vampiro otaku (gente como a gente) nos apresenta Fuyumi, uma humana desajeitada e sem personalidade que se deixa levar por todas as confusões que é arrastada, apenas para voltar a ter seu corpo de volta e deixar de ser um fantasma, além de alguns personagens principais como: Wolf, um lobisomem que é chefe de uma parte do território do Makai, também amigo/rival de Staz, muito poderoso e outro que se apaixona por Fuyumi; Liz, a irmã mais nova de Staz e que coordena uma das prisões do mundo dos demônios; Braz, o irmão mais velho (e misterioso) de Staz e Liz, que fez várias experiências com o vampiro durante a infância dele; e Hydra Bell, uma viajante espacial que usa todos de acordo com suas necessidades.

Blood Lad
©Brain’s Base / Blood Lad

É muito interessante também as piadas e críticas que são feitas sobre os animes que conhecemos bem, além de distribuírem diversas referências ao longo dos episódios, como o Staz ler um mangá chamado “Dra-gumboll” e soltar poderes com círculos de alquimia feitos no chão e um Kamehameha que foi parado pelo inimigo imediatamente (por demorar demais).

Sendo assim, Blood Lad nos surpreende em seu decorrer quando revela que o buraco é muito mais embaixo. Eles basicamente iniciam com o plot da ressurreição da garota, passando por personagens fortes e extremamente interessantes, embora apresente-os inicialmente de forma rasa de modo que permaneçam com o foco na busca por um método que salve Fuyumi, até que, já nos últimos episódios, descobrimos o que está por trás dos planos de quem realmente estava manipulando todo o enredo.

O anime, portanto, nos leva para um mundo que mistura a comédia com disputas de poder e relações profundas entre os personagens, com dilemas existenciais e sentimentais. O que podemos dizer é que, um vampiro completamente diferente dos outros, é movido pelo seu desejo peculiar e acaba nos mostrando a real profundidade dos relacionamentos entre aqueles que estão envolvidos direta ou indiretamente na trama.

Blood Lad
©Brain’s Base / Blood Lad

Assim vale à pena dar uma chance para Blood Lad, sobretudo nessa quarentena, para distrair a mente um pouco, por conta da sua dinâmica nos traços e no enredo. Infelizmente o anime possui apenas 10 episódios, nos deixando com um final aberto desde 2013 (produzido pelo estúdio Brain’s Base) e sem previsão de uma nova temporada, porém o mangá já finalizou e pode ser um escape para quem quiser continuar a história. O anime também não deixa a desejar na sua trilha sonora e nos presenteia com uma opening viciante e uma ending relativamente boa, sem nenhum atrativo a mais, porém tudo é um conjunto de motivos para que assistam Blood Lad e se divirtam com as rivalidades e as confusões que surgem uma atrás da outra.

Por fim, existem bons momentos de ação e excelentes personagens, mesclados em uma criatividade ímpar de ação com comédia e aprofundamento de enredo. Os traços da obra (tanto mangá, quanto anime) são questionáveis por algumas pessoas, mas, pessoalmente, considero tudo um conjunto bem harmônico (enredo e design), até me lembrando um pouco Soul Eater. Como já foi dito, também, são muitas referências espalhadas pela história e não tem como não se identificar com Staz e sua fixação pela cultura japonesa. Portanto, vale aqui a recomendação pra quem curte um Shounen mais descontraído, embora com batalhas interessantes, e com um design diferente do que estamos acostumados.

Para encerrar, comentem se já viram ou não esse anime e lanço aqui a pergunta: Quais os animes que viram e adoraram desde o início, porém terminou com final aberto e nunca mais voltou?

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Ele mesmoStefany ChristinaAlas Recent comment authors
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Alas
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Alas

É um ótimo anime, pena que nunca terminei ele. Bom ter me lembrado que ai, coloco ele na lista pra retomar!
Muito boa a matéria!

Stefany Christina
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Stefany Christina

Eu amo esse anime! Aliás, saudade de ler os seus textos Bolinho! <3

Ele mesmo
Visitante
Ele mesmo

Quem diria que eu iria lembrar de Blood Lad depois de tanto tempo