A falácia da maçã bonita Por que achamos que uma maçã com uma aparência bonita tem um gosto melhor?

Fabio Andrade
(Redator do Blog e Podcaster)
One Punch Man
© One Punch Man

Existe um provérbio latino que diz: Não pense que maçãs bonitas tem um gosto melhor. Esta referida frase me faz lembrar um outro ditado antigo que diz que “nem tudo que reluz é ouro”, então… Era uma vez um antigo ensinamento que todos conhecemos mas muitas vezes não levamos a sério: As aparências enganam!

Existiu um pensador pré-socrático chamado de Periandro de Corinto que escreveu um pensamento há mais de 2500 anos: “Use leis que sejam antigas, mas alimentos que sejam frescos”, por isso, vamos conversar sobre um dos grandes males do século, uma “lei” antiga. Por que somos tão levados a olhar simplesmente a aparência?

Vale ressaltar que eu acredito piamente que compreender indivíduos não nos permite compreender mercados, assim como entender uma formiga não nos permite entender o formigueiro, mas isso não nos impede de tentar conversar um pouco sobre o assunto. Um dos grandes animes de nossa geração se chama One Punch Man, não preciso falar muito sobre ele pois acredito que todos conheçam a obra, mas vou trazer pequenos detalhes.

No anime citado existe um protagonista totalmente fora do convencional, ele é careca, meio desligado e que tem uma roupa de herói muito – mas muito, estranha. O nome do herói é Saitama, aqui chegamos em um ponto importante, se uma pessoa inserida no mundo otaku nunca ouviu falar desta obra e se estivesse em perigo, jamais escolheria o Saitama para lhe salvar, com certeza escolheria o Genos ou o Fang, etc. Saitama é um herói que não tem cara de herói e é um ser muito poderoso que não tem cara de poderoso, ele é uma perfeita personificação de como as aparências enganam.

One Punch Man
© One Punch Man

Estou convencido de que o problema nunca é o problema, e sim, a forma que as pessoas lidam com ele. Então vamos lá, não é comum a vida imitar a arte mas nesse assunto muitas vezes é, vamos fazer um exercício mental, imaginemos que você se olha no espelho e não se vê satisfeito com o seu físico, talvez se ache acima ou abaixo do peso, magro ou gordo de mais, etc. Então você decide sair da vida sedentária e passa a frequentar uma academia, na hora de escolher seu personal trainer você pode optar por dois profissionais, são eles:

1 – O primeiro tem uma aparência refinadíssima, corpo “talhado”, cabelo penteado, alguém que poderia muito bem ser galã de uma novela das 21:00.

2 – O segundo parece um bárbaro, esta muito acima do peso, uma fala cheia de gírias e tem uma aparência super descuidada – camisa amarrotada para fora da calça, a ausência de diplomas na parede da sua casa sugere falta de orgulho por sua educação formal, etc.

Veja bem… Se eu precisasse escolher um dos dois – e se conseguisse não ser um otário, a melhor opção seria a número 2, entenda – realmente preciso que você preste atenção no que estou escrevendo, não estou falando que o candidato número 1 é incompetente (apesar de muitos que pessoalmente vi apresentando essas características realmente serem), só que, alguém obter sucesso em uma profissão apesar de não ter uma aparência adequada a mesma, é uma imensa e poderosa informação – até mesmo decisiva, isso é sinal de uma extrema competência.

As aparências enganam, parece que as pessoas leram demais Maquiavel e preferem ”parecer a ser”, e isso leva grande mazelas a sociedade, tenho aprendido algo em todos estes anos, quanto mais competente e livre a pessoa é, menos ela se importa com a opinião dos outros com relação a sua aparência ou forma de se portar na “sociedade”. Saitama é um exemplo de nossa hipocrisia em alguns casos, não julguemos as pessoas pela aparência ou status, existem muitos “Saitamas” em todas as áreas da sociedade, e que todos nós, repito: Todos nós, possamos analisar as pessoas pela competência – ou ausência dela, demonstrada e não por pré conceitos, tenha sempre em mente, primeiras impressões são somente isso, primeiras impressões…

 

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isseigentil
isseigentil
1 ano atrás

Linguagem muito filosófica para um conteúdo otaku, mas é interessante. Eu mesmo escolhi o profissional número 1 e iria quebrar a cara, agora aprendi uma lição, muito obrigado pelo conselho. Mudando de assunto gostaria de solicitar ao resenhista que assista a estreia do anime Shinshoku Revisiows O anime dos bordeis de reino de fantasia, entre muito ecchi e meninas de vários gêneros diferentes que são profissionais do sexo e fazem sexo por dinheiro e não por amor, a série traz uma pegada inovadora para a indústria do ecchi com muito fãs service lolicon: Uma anja hermafrodita que possui os dois orgãos genitais, masculino e feminino, Ocrim, e os nossos dois heróis: Stunke e Zel aventureiros que cumprem missões, recebem seu pagamento e a noite vão aos bordeis e pagam para fazerem sexo com meninas de diversas gêneros distintos, Elfas de 500 anos, humanas de 100 anos, succubus, meninas meio gatas, meio polvo, Slime e por aí vai. O que me refiro como quebra de clichê é a temática ser abordada de forma natural, orgânica e séria pelo diretor e roteirista da obra, o que me surpreendeu positivamente, claro que tem comédia e muito ecchi bem desenhado e sem censura em algumas partes para o público masculino do canal japonês Atx e por ser exibido nas madrugadas japonesas. O ponto de partida é as várias discussões sobre as qualidades e atributos das meninas que fazem os clientes chegarem ao ápice do prazer, e nossos protagonistas vão comer muito e depois emitem boletins de apreciação que são monetizados e o grande público usa como critério comum para basearem sua escolhas na hora de irem comer o produto das meninas. Também é muito importante salientar que neste mundo de fantasia, não existem Dsts, as meninas não engravidam, portanto ninguém nunca vai ser preso por não pagar pensão e isso acontece porque são as leis naturais deste mundo quem as determina. Então a grande questão filosófica que ficou para mim é que Os heróis cumprem missões, recebem pagamento e vão aos bordeis e pagam as meninas para fazer sexo com elas e isso é incrível, maravilhoso demais, como nunca pensei nisso antes? Se soubesse disso não tinham sofrido com um casamento fracassado que durou intermináveis 5 anos de bosta! Agora vou acompanhar cada episódio com o entusiasmo de um garoto de 8 anos descobrindo a puberdade e pedindo para as coleguinhas levantarem suas saias. Partiu trabalhar!

Vil1000
Vil1000
1 ano atrás

Bem filosófico , mas no mundo tem tanto picareta que é sempre melhor exigir comprovação da formação como certificados e diplomas do que confiar na palavra das pessoas.

W0xer
W0xer
1 ano atrás

Um modo de interpretação da base social e a ambientação como um todo do anime muito igualável a minha, de fato, One Punch Man ensinou muito isso a nós, jogando todo esse conceito de “se é grande é forte” e de “se é pequeno é fraco” bem na nossa cara, e nos mostrando de forma interina e simplória que não é bem assim