Primeiras Impressões: Tomb Raider King O Rei das Tumbas chega prometendo vingança — mas tropeça logo na saída

Alex Kurt
(redator)
Tomb Raider King
© Tomb Raider King

Ficha Técnica – Tomb Raider King

Gênero: Ação, Aventura, Fantasia
Estúdio: Studio EEK
Origem: Web Novel
Estreia: 8 de julho de 2026 — Crunchyrol

Depois do impacto de Solo Leveling, a temporada de julho de 2026 traz outra aposta sul-coreana de peso — e Tomb Raider King chega cercado de comparações que, após o primeiro episódio, se mostram mais justas do que seus criadores gostariam. A premissa tem potencial real, o universo tem camadas interessantes, e há elementos que me despertaram curiosidade genuína. O problema é que o episódio de estreia tropeça justamente onde mais precisava acertar: no protagonista e na escrita que deveria sustentá-lo.

Sinopse:

Túmulos misteriosos aparecem por todo o mundo, cada um escondendo relíquias capazes de conceder habilidades sobrenaturais. Seo Joo-Heon é um escavador — alguém que explora essas tumbas em busca dos artefatos — e que vive esse trabalho com a frieza de quem já viu o suficiente para não se surpreender com nada. Traído pelo próprio empregador e deixado para morrer durante uma expedição, Joo-Heon é salvo por uma relíquia ligada a um corvo e enviado quinze anos ao passado — antes de qualquer tumba ou relíquia ter surgido no mundo. Com o conhecimento do futuro nas mãos e poderes aprimorados, ele decide que dessa vez ninguém vai chegar primeiro. 

Tomb Raider King
© Tomb Raider King

O Studio EEK entrega um trabalho visual que se mantém na faixa do funcional sem jamais alcançar o notável. O design dos personagens e os cenários das tumbas são competentes — há momentos em que a escala dos ambientes impressiona e a criatura do episódio inicial é construída com algum cuidado. Mas as sequências de ação pecam em não transmitir peso real: a luta de abertura, que deveria ser o pico emocional do episódio, passa com menos impacto do que merecia. A abertura “Show Down“, interpretada pelo grupo sul-coreano QWER, tem energia e combina bem com o tom da série — é um dos acertos mais imediatos do episódio.

Tomb Raider King é originalmente uma web novel escrita por SAN.G, que ganhou posteriormente uma adaptação em webtoon produzida pelo Redice Studio, com arte de 3B2S e adaptação de Yuns — o mesmo estúdio por trás de Solo Leveling. A comparação entre as duas obras é inevitável, e o primeiro episódio não faz muito para se distanciar dela: a interface holográfica que exibe missões como um videogame, o protagonista ressurgindo com poderes aumentados, o tom de vingança fria — tudo isso ecoa o que Solo Leveling popularizou. Isso não invalida Tomb Raider King, mas significa que a série vai precisar de mais do que familiaridade para conquistar seu próprio espaço.

Tomb Raider King
© Tomb Raider King

O que me interessa genuinamente nesse universo são as relíquias em si. A ideia de que esses artefatos têm vontade própria — agendas independentes, motivações que vão além de simplesmente conceder poder a quem as encontra — é o elemento mais original do episódio e o que mais me fez querer continuar. Há potencial real de construção de mundo nessa direção, e espero que a série o explore com coragem. O aspecto da viagem no tempo também abre possibilidades narrativas interessantes: Joo-Heon não é apenas mais poderoso, ele sabe o que vem, e o que ele vai fazer com esse conhecimento ainda está em aberto de forma que me parece deliberada.

O problema central, porém, é o próprio protagonista. Joo-Heon é difícil de acompanhar — não pela complexidade moral, que existe e é bem-vinda, mas pela forma como o roteiro o escreve. Na sequência de abertura, ele está claramente ferido de forma grave, e ainda assim a escolha da escrita é colocá-lo aos berros, lançando ameaças e insultos com uma arrogância que soa mais petulante do que imponente. Não consigo acreditar no perigo que um personagem enfrenta quando ele próprio parece não acreditar. Isso desperdiça o momento mais importante do episódio — e provavelmente da série inteira.

Tomb Raider King
© Tomb Raider King

Expectativas:

Tomb Raider King não é um anime ruim depois de um episódio — é um anime que ainda não encontrou a melhor versão de si mesmo. O universo tem substância, a premissa tem camadas, e estou disposto a dar crédito à possibilidade de que Joo-Heon seja intencionalmente construído como ponto de partida para uma evolução mais longa. Mas a série não facilitou a própria jornada. Se o Studio EEK conseguir equilibrar o peso dramático das tumbas com uma escrita mais precisa para o protagonista, há algo aqui que vale o investimento. Por enquanto, é uma aposta ainda por confirmar.

Nota: 2,5/5,0


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