Vamos Falar de: Parede de Gelo e Primeiras Impressões de Seihantai na Kimi no Boku 2 Para evitar uma repetição

Josenilson Vinicius
(Pauteiro do UNITEDcast)
TBS
©TBS

Primeiramente, vem meu pedido de desculpas para aqueles que esperavam apenas as Primeiras Impressões da segunda parte de Seihantai na Kimi no Boku (You and I Are Polar Opposites), mas quero fazer uma comparação entre ela e Parede de Gelo (The Ramparts of Ice/Koori no Jouheki), afinal de contas é o ano da Agasawa Koucha, autora de ambas, tendo suas obras ganhando adaptação no mesmo ano, inclusive as segundas “temporadas” saindo nesse ano solar, então uma comparação entre elas é esperada e como falei nas Primeiras Impressões de Parede de Gelo, parece que essa obra merecia ser lançada primeiro.  

Koori no Jouheki
©Studio KAI/Koori no Jouheki

Digo isso porque Parede de Gelo parece ser algo mais inicial, pois aparecem muitos tropos de histórias de romance, principalmente romances adolescentes, algo entendível quando você sabe que essa foi a primeira serialização dela. Porém, algo que se destaca nessa história são os personagens, principalmente o quarteto principal, que são bastante carismáticos, onde, mesmo as construções dos personagens possuindo elementos conhecidos, a dinâmica entre eles, é bastante única, principalmente por enriquecer as características identitárias de cada um, gerando conflitos, mas também interações amistosas entre ambos; o que me fez pensar que a genialidade de Seihantai é justamente a dinâmica de relacionamento dos personagens ser o foco da história, pois pega justamente o ponto mais forte, característica da autora, e foca nisso, limando conflitos existentes, já que isso é o foco do outro anime.

Koori no Jouheki
©Studio KAI/Koori no Jouheki

Polêmicas da dublagem.

Mas uma coisa que me surpreendeu foi na dublagem, pois o elenco de voz em português em ambas as obras são muito bons, principalmente em Parede de Gelo que vi todo dublado, muito porque o contrato de dublagem da Netflix é mais focado em obras em vez de período, como na Crunchyroll, por isso tenho mais confiança em acompanhar obras dubladas na Netflix em vez da Crunchy, apesar de ter assistido Tongari Boushi no Atelier (Witch Hat Atelier) quase todo dublado; porém, vamos tirar logo o elefante da sala, a polêmica do “Sabor” é ilógica, até mesmo no sentido da datação da narrativa, pois estamos falando de histórias que se passam no período colegial da década de 2010, então é esperado memes nesse tipo de diálogo, fora que a própria dublagem é uma alteração do texto original, já que ambas as histórias se passam em tempos atuais, ainda há algumas diferenças culturais que fogem tanto na dublagem quanto na tradução das legendas, só presentes no idioma original, então adaptações são feitas, principalmente para dublagens que necessitam de concordância verbal e léxica com animação, pois nosso modelo de imagem busca mais a imersão que a transposição do texto.

Tongari Boushi no Atelier
©BUG FILMS/Tongari Boushi no Atelier

Trago isso porque estou assistindo Nadesico (Kidou Senkan Nadesico), uma outra obra dublada, porém antiga; é um anime que é uma sátira às obras sci-fi do seu período, final dos anos 1990, porém sua dublagem brasileira saiu em 2006 e ainda por cima tendo como base o texto americano, o que faz com que muitas das piadas sejam fora da nossa realidade, mas mesmo tendo trinta anos de idade, as piadas funcionam, claro, se você souber do contexto que é apresentado com a imagem, pois o texto e a atuação não conversam tanto com o humor da obra, o que prejudica caso você tenha assistido a outras obras da época, como Excel Saga, que também usa memes de seu período para agregar seu texto, poderá esquecer de Nadesico; mas o uso de piadas não diminui a obra, só a enfraquece por não conversar com o público. Já aqui em Seihantai e Parede de Gelo, o texto é bastante atual, então usar uma referência que conversa perfeitamente com o contexto não deveria causar uma polêmica. Focando no segundo, não vi essa polêmica ir à tona, mesmo tendo adaptações que conversam bastante com nossa região, aliás.

Kidou Senkan Nadesico
©XEBEC/Kidou Senkan Nadesico

A única coisa que me faz acreditar na aparição da Koyun, Miki e Shimojima em Seihantai e Miyu, Satou e Nabe em Parede de Gelo foi unicamente pelo desejo da autora, já que são estúdios, comitês de produção e até mesmo distribuidores internacionais diferentes entre si, então ver as principais heroínas nos seus animes co-irmãos, o que obriga a staff de dublagem nacional a trocar figurinhas, é legal; ver ambas nos mais diferentes designs dos estúdios diferentes.

Koori no Jouheki
©Studio KAI/Koori no Jouheki

O que achei de Parede de Gelo

Agora, focando especialmente em Parede de Gelo, além do que havia falado, mostra um bom início da autora, afinal é a primeira obra publicada dela, seja por uma editora, seja ela própria, e, como falei, possui muitos tropos esperados para esse tipo de narrativa, mas também as definições narrativas do gosto dela, como a dinâmica entre as personagens sempre começar com algo “fora da cena”, mas que acaba revelando mais dos mesmos, como foi a conversa da Koyun e a Miki que mostrou o lado masculino da última, essa que, no último episódio da temporada, vemos um lado mais feminino; esse tipo de ferramenta narrativa é conhecida, mas a maneira que Agasawa Koucha usa é bastante cativante; retornando ao ponto da dublagem, a staff brasileira começou a entender mais a adaptação no episódio três, porém captaram a essência dos personagens desde o dia um e aposto que se divertiram bastante nesse trabalho.

Koori no Jouheki
©Studio KAI/Koori no Jouheki

Terminando finalmente, falando da produção, o studio Kai entregou, novamente, um bom trabalho, o traço da Agasawa Tea é bem bonito, seja na proporção corporal padrão, quanto no traço chibi dos personagens. A escolha de uma paleta de cores mais azulada combinando com o título da obra, Koori no Jouheki (氷の城壁/ Muralhas de Gelo) faz um ótimo contraste com as cores quentes de Seihantai, deixando clara a diferença temática de ambas, apesar delas compartilharem a mesma ideia, e não é apenas o ambiente escolar.

Koori no Jyouheki
©Studio KAI/Koori no Jouheki

Primeiras Impressões de Seihantai (Com atraso)

Enfim chegamos às minhas Primeiras Impressões da segunda parte, pois não é uma nova temporada por ser lançada três meses depois da primeira e manter toda staff reunida para entregar o mesmo excelente trabalho, por isso, não irei repetir minhas críticas das minhas Primeiras Impressões passadas, pois parece que estou repetindo. Então, vamos falar dos temas de abertura e encerramento, que conversam bastante com a obra, principalmente a abertura, onde a animação mostra as artes promocionais, que para os leitores serviam como um pedido de desculpas quando um capítulo atrasava uma semana, claro que tem capas do original e a cena final do mangá? Isso me surpreendeu, claro que nessa temporada (julho/verão) está tendo uma série de diretores brincando conscientemente com a audiência, mas jogar na cara isso acaba gerando-me uma sensação que tive com Vivy, mas lúcido sobre o que é. Claro que não direi, já que espero algo diferente dele, mas peço que esperem até descobrir o que é, fora pegar alguns wallpapers legais que surgiram.

Seihantai na Kimi no Boku
©Lapin Track/Seihantai na Kimi no Boku

Eu tinha esquecido que, a partir de agora, o foco romântico será o Taira e Azuma e não Tani e Miyu, muito porque é o único casal em potencial nessa segunda parte, já que todos os possíveis estão namorando, porém, nosso casal principal ainda apresentará conflitos, frutos esses do crescimento e amadurecimento de ambos, criando assim um clima agridoce para eles e todos em sua volta, mesmo que tenha gente com baixa autoestima.

Seihantai na Kimi no Boku
©Lapin Track/Seihantai na Kimi no Boku

Com isso, encerro meus comentários sobre Parede de Gelo e Seihantai. No primeiro, compartilhei minhas impressões sobre a conclusão da primeira fase da história; no segundo, falei sobre o início da continuação. Pelo menos assim consegui evitar repetir exatamente o que havia escrito no texto anterior. E você, o que achou, ou vem achando, dessas obras? Espero comentários educados, já que não xinguei ninguém.

Seihantai na Kimi no Boku
©Lapin Track/Seihantai na Kimi no Boku

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