Kenja no Mago: Impressões Finais Crítica sobre o anime Kenja no Mago

Maknara
(Redator do Blog)
@maknarasan
Kenja no Mago
©Kenja no Mago

Produzido pelo estúdio Silver Link (Rakudai Kishi no Cavalry, Midara na Ao-chan), Kenja no Mago é mais um anime onde o protagonista reencarna em um mundo de fantasia após sua morte. Animes com essa temática continuam em alta no Japão – com alta popularidade no ocidente. A Light Novel de Kenja no Mago é boa, mas a adaptação em anime entrega um trabalho descente – e infelizmente, nada mais do que isso.

Atenção! Evitarei ao máximo os spoilers, porém, algumas informações relevantes para a análise serão citadas, então naturalmente esse artigo terá spoilers. Por isso, veja se o nível de spoiler desse post é adequado para você.
Nível de Spoilers: Moderado

Kenja no Mago
©Kenja no Mago – O protagonista Shin Wolford

As definições de obra rushada foram atualizadas

Logo nos primeiros episódios, o anime passa a mensagem de como será conduzido o ritmo da obra. O rápido crescimento do protagonista Shin Wolford é feito propositalmente para que o anime possa ser ambientado na adolescência do mesmo. Cortes temporais, cenas curtas e diálogos reduzidos, todos esses recursos são usados – e abusados – desde o primeiro momento do anime, colocando em dúvida se todos os episódios seguiriam o mesmo ritmo. Lamentavelmente, não demorou muito para percebermos que o ritmo seria esse.

Mesmo que o efeito rush (na tradução literal significa pressa, mas pode ser utilizado para dizer que uma obra está sendo acelerada) seja uma tendência – muitas vezes danosa – nos animes atuais, quando utilizado de forma correta pode poupar o espectador de momentos pouco relevantes da obra, garantindo uma fluidez melhor da adaptação.

Porém, se utilizado de forma excessiva, dificulta a criação de vínculos com os personagens e suas histórias pessoais, servindo como um colete salva vidas para um espectador que deseja mergulhar na história. Kenja no Mago exagera na brevidade das cenas e nos afasta de personagens que poderiam nos cativar, se estivessem mais tempo para isso.

O personagem melhor desenvolvido – naturalmente – é o Shin Wolford, com todo seu carisma e ingenuidade para alguns assuntos, contrasta com sua habilidade muito acima das pessoas daquele mundo. Todavia, fica faltando um pouco mais de profundidade no personagem e nos seus pensamentos.

Kenja no Mago
©Kenja no Mago – August von Earlshide, Maria von Messina, Sicily von Claude e Shin Wolford

Enquanto os personagens ficavam mais fortes, a animação ficava mais fraca

O estúdio Silver Link já entregou trabalhos muito mais bem animados do que Kenja no Mago. Isso não significa que esse seja o maior problema do anime, mas certamente está longe de ser um ponto forte. O design de personagens é razoável e as cenas de ação são medianas, com as melhores animações no começo decaindo gradativamente.

Conforme o protagonista ficava mais forte a cada episódio, havia a necessidade de elevar os níveis dos seus amigos, para que não houvesse uma diferença ainda maior entre eles. Então surge o clube de magia o qual ele é o professor. Enquanto eles ficavam mais fortes, a história se repetia com o Shin, sem fazer muito esforço para isso. O problema é que o grupo de amigos participando do clube é muito grande e isso dificulta que haja um foco maior nos personagens. Junte um número elevado de personagens em uma obra rushada e você terá tudo, menos desenvolvimento de personagens.

Evidentemente algumas pessoas conseguem um destaque maior, assim como a Sicily von Claude, interesse romântico do protagonista. Como tudo nessa obra acontece rápido, não seria diferente no relacionamento dela com o protagonista.

Em alguns episódios o relacionamento desenvolve no melhor estilo “meu primeiro amor” e dois ficam juntos. Não considero esse como um ponto negativo, já que poucas obras seguem essa linha e muitas optam por aquela velha fórmula de juntar o casal somente no final da obra – depois de muita enrolação. O risco de juntar um casal tão cedo é queimar uma carta que pode ser interessante no decorrer da obra e acabar tirando o destaque da Sicily  que já não tem uma personalidade tão marcante assim.

Kenja no Mago
©Kenja no Mago – Shin Wolford e Sicily von Claude

Um erro que geralmente custa caro

O maior problema da adaptação acontece durante o treinamento especial com o clube. Um treinamento não costuma ser o período mais agradável de um anime, entretanto, não precisa ser um verdadeiro tédio.

Temos um excelente exemplo de um treinamento bem feito nessa mesma temporada, em Kimetsu no Yaiba (Demon Slayer). O treinamento do Tanjirou, protagonista da obra, é feito de momentos dramáticos, relevantes e com significado, sem esquecer da excelente animação das cenas. E tudo isso acontece em apenas 1 episódio. Diferente de Kenja no Mago, que faz com que o treinamento dure mais episódios do que qualquer outro clímax do anime, além de apresentar acontecimentos com pouca emoção que poderiam ser facilmente deixados de lado.

Animes que cometem esse erro costumar pagar caro depois, porque muitas pessoas acabam dropando o anime nesse período. O anime Radiant passou por isso recentemente, com aproximadamente 5 episódios pouco interessantes que fez muita gente desistir de assistir. E olha que no caso de Radiant, o anime ficou muito bom depois desse período. Kenja no Mago que não fica muito bom depois desse período de treinamento, deveria ter mais cuidado ainda em não cometer esse erro.

Kenja no Mago
©Kenja no Mago – Os “Magos Supremos”

O melhor vem sempre no fim? Talvez não seja o caso de Kenja no Mago

O arco final sugeria uma luta de maior escala com um pouco mais de emoção. Mas como todas as ameaças anteriores, essas também não são fortes o suficiente para o protagonista – e agora não são tão fortes nem para os seus amigos.

Quando penso em humanos que se tornam demônios, naturalmente imagino algo mais maligno e trabalhado do que os demonóides apresentados pelo anime. Raros são os momentos em que eles passam a sensação de perigo real.

No último episódio eu achei que isso poderia mudar com o surgimento da Miria, mas a luta que mais tinha potencial foi rapidamente encerrada.

O único que consegue se salvar é o Oliveira von Schtradius, principal vilão da primeira temporada, porém, sua participação foi pequena e teríamos que esperar uma segunda temporada para vê-lo em ação.

Kenja no Mago
©Kenja no Mago – Os “poderosos” demonóides.

Kenja no Mago é uma obra interessante na linha de protagonistas overpowers reencarnando em um mundo de fantasia. A história não traz elementos inovadores, mas consegue ser suficientemente boa para despertar interesse. Entretanto, a sensação que passa é de que a adaptação poderia ter sido muito melhor, se fosse feita por um estúdio e uma Staff diferente.

Ela não tem o mesmo potencial de obras do gênero bem sucedidas como Tensei shitara Slime Datta Ken, mas fica claro que ela poderia ser muito melhor aproveitada nas mãos corretas. Mesmo assim, Kenja no Mago pode ser uma boa opção para quem gosta de animes do gênero, com um protagonista carismático, extremamente forte, que desenvolve o romance rapidamente.

Nota do anime: 5

A escala de avaliações Maknara funciona da seguinte forma:

10 – Utopia
9 – Excelente
8 – Ótimo
7 –  Muito Bom
6 – Bom
5 – Mediano
4 – Abaixo da média
3 – Ruim
2 – Muito Ruim
1 – Era um anime?

E você, qual nota daria para a animação de Kenja no Mago? Deixe nos comentários!

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